segunda-feira, 13 de julho de 2009
Prêmio de Lula orgulha o país, mas imprensa esconde
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu ontem à noite, em Paris, o prêmio Félix Houphouët-Boigny concedido pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura).
Presidido por Henry Kissinger, ex-secretário de Estado dos Estados Unidos, o júri premiou Lula “por sua atuação na promoção da paz e da igualdade de direitos”.
Não é um premiozinho qualquer. Entre as 23 personalidades mundiais que receberam o prêmio até hoje _ anteriormente nenhum deles brasileiro _ , estão Nelson Mandela, ex-presidente da África do Sul, Yitzhak Rabin, ex-premiê israelense, Yasser Arafat, ex-presidente da Autoridade Nacional Palestina, e Jimmy Carter, ex-presidente dos Estados Unidos.
Secretário-executivo do prêmio, Alioune Traoré lembrou durante a cerimonia na sede da Unesco que um terço dos vencedores anteriores ganhou depois o Prêmio Nobel da Paz.
Pode-se imaginar no Brasil o trauma que isto causaria a certos setores políticos e da mídia caso o mesmo aconteça com Lula.
Thaoré disse a Lula que, ao receber este prêmio, “o senhor assume novas responsabilidades na história”.
Mas nada disso foi capaz de comover os editores dos dois jornalões paulistas, Folha e Estadão, que simplesmente ignoraram o fato em suas primeiras páginas. Dos três grandes jornais nacionais, apenas O Globo destacou a entrega do prêmio no alto da capa.
Para o Estadão, mais importante do que o prêmio recebido por Lula foi a manifestão de dois ativistas do Greenpeace que exibiram faixas conclamando Lula a salvar a Amazônia e o clima. “Ambientalistas protestam durante premiação de Lula”, foi o título da página A7 do Estadão.
O protesto do Greenpeace foi também o tema das únicas fotografias publicadas pela Folha e pelo Estadão. No final do texto, o Estadão registrou que Lula pediu desculpas aos jovens ativistas, retirados com truculência pela segurança, e “reverteu o constragimento a seu favor, sendo ovacionado pelo público que lotava o auditório”.
“O alerta destes jovens vale para todos nós, porque a Amazônia tem que ser realmente preservada”, afirmou Lula em seu discurso, ao longo do qual foi aplaudido três vezes quando pediu o fim do embargo a Cuba e a criação do Estado palestino, e condenou o golpe em Honduras.“Sinto-me honrado de partilhar desta distinção. Recebo esse prêmio em nome das conquistas recentes do povo brasileiro”, afirmou Lula para os convidados das Nações Unidas.
A honraria inédita concedida a um presidente brasileiro, motivo de orgulho para o país, também não mereceu constar da escalada de manchetes do Jornal Nacional. A notícia da entrega do prêmio no principal telejornal noturno saiu ensanduichada entre declarações de Lula sobre a crise no Senado e o protesto do Greenpeace.
É verdade que ontem foi o dia do grande show promovido nos funerais de Michael Jackson, mas também ganhou destaque na escalada e no noticiário a comemoração pelos quinze anos do Plano Real (tema tratado neste Balaio na semana passada) promovida no plenário do Senado, em que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso aproveitou para atacar Lula.
Diante da manifesta má-vontade demonstrada pela imprensa neste episódio da cobertura da entrega do Prêmio da Unesco, dá para entender porque o governo Lula procura formas alternativas para se comunicar com a população fora da grande mídia.
Muitas vezes, quando trabalhava no governo, e mesmo depois que saí, discordei dele nas críticas que fazia à atuação da imprensa, a ponto de dizer recentemente que não lia mais jornais porque lhe davam azia.
Exageros à parte, mesmo que esta atitude beligerante lhe cause mais prejuízos do que dividendos, na minha modesta opinião, o fato é que Lula não deixa de ter razão quando se queixa de uma tendência da nossa mídia de inverter a máxima de Rubens Ricupero, aquele que deu uma banana para os escrúpulos.
“O que é bom a gente esconde, o que é ruim a gente divulga”, parece ser mesmo a postura de boa parte dos editores da nossa imprensa com um estranho gosto pelo noticiário negativo, priorizando as desgraças e minimizando as coisas boas que também acontecem no país.
Fonte:O Globo - Online
http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2009/07/08/premio-de-lula-orgulha-pais-mas-imprensa-esconde-203121.asp
quinta-feira, 25 de junho de 2009
Deixa o dia raiar
Diversão constante é o que se encontra na noite gay de Salvador. Gente de todo tipo e diferentes classes econômicas circulam pelos “points” LGBT’s (lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, travestis e transgêneros) da soterópolis. Dezenas de estabelecimentos abrigam pessoas com um perfil muito próximo, que buscam diversão. Toda essa animação já ganhou diversos títulos, hoje, a noite é eclética.Diante de tantas opções, resolvi visitar os lugares mais conhecidos, badalados e divertidos de Salvador. Encontrei programas para bolsos e gostos diferentes. Aconselhado por meu amigo Carlos Eduardo, 25, cheguei pouco depois das 16h à Praia dos Artistas, no bairro de Boca do Rio. O Sol estava encoberto por nuvens escuras e ameaçava chover, mas mesmo assim estava animado. Pessoas dançavam ao som de DJ’s em barracas como Bahamas e República, as mais conhecidas. Edílson*, 38, consultor de empresas, freqüentador da praia, me aconselhou voltar num domingo, pois, nesse dia à tarde, a praia está lotada e, além dos DJ’s, tem shows dos “meninos” contratados pelas barracas. Esses meninos fazem apresentações de dança, travestidos, dublando musicas de cantoras nacionais e internacionais. Saindo da Praia dos Artistas me joguei para o centro da cidade, próximo destino: uma sauna. Levei a tiracolo meu amigo Carlos Eduardo. Já no centro, Carlos me apresentou opções de saunas e vários endereços. Após pensar um pouco, sugeriu que fôssemos à Termas Olympus, discreta, numa rua residencial próximo ao bairro 2 de Julho. Aparentemente uma residência comum, se desdobra em cabines privadas e coletivas, salas de tv e leitura. O clima “quente” é propício para quem quer começar bem a noite. Não demoramos muito lá, me despedi de Carlos e caminhei até o Campo Grande. Ainda era cedo, pouco mais que 19h. O Beco dos Artistas começava a “bombar”. Entrei no Camarim, um bar dentro do Beco. O Camarin também tem boate, atendimento com garçons já conhecidos do público, telão com shows e vídeos musicais, bebida gelada e grande opção de tira-gostos. Mais cinco bares compõem o “casting” do Beco. O único problema é a limpeza do local. Apesar do excelente estado dos bares, a porta do Beco, nessa noite, servia como depósito de lixo.
O público é diversificado mas de maioria jovem. Os preços, em média, cabem em todos os bolsos – a cerveja em garrafa custa R$3,00. O transporte também é fácil, tanto para chegada quanto para saída, seja de ônibus ou de táxi. Para quem vem de carro, um estacionamento rotativo na rua principal garante a segurança. Depois de dançar na boate do Camarim, dei uma escapada para a Barra. Tradicional pelas praias e o Farol como postais diurnos da cidade, esse bairro abraça também alguns dos mais qualificados pontos de diversão LGBT’s. Entre eles se destaca a OFF, boate que há cerca de um ano passou por reformas. Essa mudança na estrutura do local, que conta com duas pistas de dança e bares, atraiu ainda mais o público gay da cidade e de fora dela. Apesar de ser uma das mais caras – a entrada custa R$ 30,00 - a OFF é bastante comentada por não ser um meio exclusivamente gay. Na saída da OFF, às 3h da manhã, quando já me preparava para encerrar o meu roteiro, encontro meu amigo Carlos acompanhado de alguns amigos. Ele me convidou para tomar a “saideira” em um bar ali mesmo, no Beco da OFF. Conversamos até às 5h da manhã. Quando nos despedíamos, Carlos saiu me corrigiu dizendo “Saideira não, a ‘comeceira’. A noite Gay de Salvador só acaba na manhã da segunda feira”.
sábado, 20 de junho de 2009
Saúde e boa forma na noite soteropolitana
O horário noturno, além de ser mais agradável, é uma opção para quem trabalha durante o dia de manter a forma e saúde através de exercícios físicos.
A nova mania da noite em Salvador é transformar praças e espaços públicos em verdadeiras academias. Em bairros, como a Barra e até mesmo na Avenida Centenário já é comum encontrar pessoas de todas as idades que praticam atividade física quando começa a anoitecer. Principalmente com novas calçadas e novas iluminações que vem atraindo gente para esse lugar.Para alguns, essa preferência é ocasionada pelo frescor que invade a cidade após o pôr do Sol, outros encontram na noite o tempo necessário distante das cobranças e do ritmo profissional, mas a maioria concorda: esta nova mania só é possível graças às melhorias que algumas regiões experimentaram no último ano.
Para o Fabiana Fontes, correr na rua ou fazer o alongamento na praia é mais agradável à noite. Afinal, nesse período é mais suportável do que um dia quente que possui 30 graus de temperatura. “Sem dúvida, fazer o exercício à noite é bem mais prazeroso. A gente sua menos, sente menos calor, mas o principal motivo de estar aqui agora é porque, normalmente, durante o dia não tenho tempo para me exercitar”, diz Fabiana
Já a advogada Paula Almeida, 25 anos o sua história é diferente. Formada em direito, estuda pela manhã e trabalha à tarde. Na tentativa de manter o corpo saudável, reserva quatro noites toda semana para os exercícios na Academia e somente às quartas, vai à praia da Barra fazer alongamentos junto com amigos sob a supervisão de um professor de educação física.
A rotina de Vinicius Muniz, 20 anos, também vive na mesma rotina. Estuda pela manhã e faz estágio à tarde. “Faço duas horas de atividades físicas todos os dias. Entre os meus exercícios está a corrida na areia da Barra. Eu nem teria tempo de fazer isso pela manhã.” O corre corre do trabalho só nos permite exercitar neste horário”, diz Muniz. “Acho válido me exercitar nesse horário. É muito melhor do que ficar parado” conclui.
Paulo Bahia, professor de educação física, é integrante da Triação, que é uma assessoria esportiva que apóia qualquer tipo de esporte e condicionamento físico. Com esse objetivo, ele marca com seus alunos associados na praia, todas as quartas às 20 horas próximo ao Farol da Barra. Nesses dias, diversos trabalhos de alongamentos e corrida são praticados na areia da praia.
Segundo Paulo Bahia, é importante praticar à noite porque a pessoa tem mais disposição do que pela manhã. O rendimento é melhor e menos desgastante. “Isso porque tem gente que acorda 5 da manhã para fazer exercícios deixando-o mais cansado para trabalhar”. Além das vantagens enumeradas pelo professor, o esporte noturno acaba também ajudando a eliminar parte do estresse vivido no trabalho durante o dia.
Por outro lado, este mesmo cansaço acaba contribuindo de forma decisiva para o elevado índice de faltas aos treinos. “O cansaço diário faz com que muitos acabem não comparecendo a todos os treinos. Muitas pessoas até aparecem. Porém enquanto alguns chegam supurativos, outros se sentem indispostos para os exercícios”, diz o professor de educação física, Diogo Almeida.
Para aqueles que querem ficar longe das ruas, de olho nesta tendência para a ginástica noturna, algumas academias já começam a apostar na ampliação do horário de funcionamento. Na Academia Tony Granjo, localizada no Canela, por exemplo, o horário de funcionamento vai até as 22:00.
Ana Maria, 60 anos, faz musculação nessa academia à noite por sugestão do filho que também é “Personal treiner”. Antes do trabalho, ela faz aeróbica pela manhã bem cedo. Ela também não dispensa o Cooper durante a noite quando não vai a academia. Corre duas vezes ao dia, do Campo Grande até a Barra e se preocupa muito em manter a forma por causa da idade.
Para o médico cardiologista Luiz Alberto Ritt, não existe nenhuma restrição para a prática física durante a noite. Porém, é necessário fazer um exame médico. Ele afirma que pessoas já sofreram ataques cardíacos por causa de esforço físico independendo do horário praticado. Acrescenta que antes de começar uma atividade física, deve-se procurar um avaliador físico competente e medir a sua pressão cardíaca. E é fundamental uma revisão do corpo periodicamente. “Pessoas acima de 45 anos devem fazer exames de rotina. Já para os hipertensos e outros casos patológico, é importante que a pessoa pratique exercícios diariamente. Assim ela pode evitar maiores danos à saúde”, diz Ritt.
A noite de Salvador não é somente festas, é também saúde e cada vez mais as pessoas estão descobrindo esse espaço e este tempo para cuidar do corpo, combater o estresse, livrar-se da rotina e, por conseqüência, melhorar a qualidade de vida e o humor perante o mundo.
quinta-feira, 18 de junho de 2009
Fecha o bar que o buzu vai passar!
É uma terça-feira de março: um dia de movimento nos bares da orla de Salvador. A cidade turística, com quase 3 milhões de habitantes e com fama de festeira dorme cedo. O que acontece na capital, que recebeu cerca de 3,5 milhões de visitantes em 2008 – número maior que a população local, é que sua vida noturna é curta.
A noite que deveria ser badalada, acaba antes que o cliente queira ir embora. “A maioria dos bares da orla fecha antes da meia noite”, afirma a estudante Priscila Ribeiro.
Acompanhada de mais dois amigos, a estudante já se deparou com situações em que o bar encerrou as atividades antes da vontade dela e de seus colegas irem embora. O que fizeram? Foram frustrados para casa ou decidiram por comer o feijão, o mocotó, a rabada e outros. As opções foram os bares 24 horas, postos de gasolinas e bares de bairro.
Vantagem para os bares 24 horas. Ao passo que os estabelecimentos convencionais alegam que não há clientes para além da meia noite, Sandro Leite, que gerencia um estabelecimento desse tipo no Rio Vermelho, diz que público tem, mas que a questão maior é a dificuldade de transporte. “Também tem que ter ônibus”, diz o gerente. “Quem vem para cá, são os funcionários dos bares vizinhos, gente que vem de aniversário, dos outros bares”, completa. Segundo ele, quem sai do trabalho entre 12h e 3h da manhã tem que ficar fazendo hora até o ônibus passar.
O gerente de bar Sandro Leite garante que há público para a noite em SalvadorJá Joseval Faustino, gerente de um bar da orla, não consegue ver o problema do transporte coletivo. Segundo ele, os funcionários não encontram empecilhos para voltar para casa. Usam os ônibus da madrugada - o pernoitão ou fazem uma “vaquinha” para ir de táxi.
Joabe utiliza transporte clandestino para ir do Rio Vermelho para PlataformaHá uma forte evidência de que não há preocupação da maioria dos empresários com o transporte seguro dos funcionários na volta para casa. O garçon Joabe Alves dos Santos, por exemplo, trabalha no Rio Vermelho e sai entre 12h e 2h da manhã em direção ao bairro Plataforma usando transporte clandestino.
Essa dificuldade mobilizou a Abrasel (Associação de Bares, Restaurantes e Similares), a procurar pela Secretaria de Transporte Público do município. Um mapeamento foi solicitado pela secretaria à Associação e deve ser finalizado até Junho desse ano. “É a mais clara evidência que há mercado”, pontua o presidente da Abrasel, Luiz Marques. Para ele, a ausência de transporte é o fator limitador dessa demanda. “As pessoas não tem como ir e o colaborador tem dificuldade de voltar”, assinala.
Uma outra questão que não pode deixar de ser mencionada é a segurança. O bar que Faustino administra, por exemplo, finaliza seu expediente entre 1h30 e 2h da manhã, quando o gerente diz não existir mais clientela. Ele considera arriscado deixar o bar aberto na madrugada. “Depois de um certo horário começa a aparecer gente estranha”, diz ele. “Eles pensam somente na segurança deles. Não é por nós”, rebate a estudante Priscila Ribeiro.
Sob a perspectiva da presidência da Abrasel, a segurança também é um dos motivos que inibe a clientela dos bares. Marques aponta um outro fato: a questão da Lei Seca. Nesse sentido, ele reforça a necessidade de melhorar o transporte público. “Não tenho dúvida que aumentaria a circulação de renda”, declara.
Salvador precisa acordar. Ou melhor, a cidade que recebe mais de 3 milhões de turistas, não pode dormir tão cedo.
Sexo sem cama
Maria Ísis [mariaisiss@gmail.com]
Engana-se quem pensa que o sol é requisito para que as pessoas visitem a praia do Jardim de Alah. Logo após as 18 horas, a faixa de areia próxima à parede de pedras é freqüentada por homo e heterossexuais para realizar fetiches e desejos eróticos, seja pela grana curta para o motel, para encontrar alguém disponível para programas, no mínimo, inusitados ou exercitar o voyerismo.
No “pistão”, como é conhecido o estacionamento que fica próximo, as carícias são menos intensas e ocorrem dentro dos carros. A maioria dos frequentadores é homem, na faixa etária dos 20 aos 50 anos. Boa parte deles chega sozinho e encontra ali mesmo um parceiro sexual. O movimento de carros circulando é constante. Alguns estacionam os veículos próximos a outros, abaixam o vidro, conversam e convidam para um encontro. Ao redor, os transeuntes acompanham curiosos a movimentação. Os mais exibidos chegam a se masturbar.
“O que mais gosto é que aqui você tem liberdade para fazer o que quiser. Se acontecer de rolar uma transa, ótimo. Se não acontece, não deixa de ser divertido também”, diz o cearense Mário*, 23 anos, que em todas as visitas à capital baiana – uma média de oito por ano – faz questão de comparecer ao pistão.
Perto dali, o tapete de grama, onde ficam coqueiros, e que serve de espaço para exercícios físicos e de relaxamento durante o dia, à noite, tem uma destinação bem menos inocente. O chamado “tapetão” funciona como um local para o encontro inicial dos que chegam a pé. Os aparelhos de musculação funcionam como banquinhos, são pontos de encontro, e os coqueiros servem de “camas verticais” para apoio dos casais mais desinibidos.
É possível ver garotos de programa, jovens ainda vestidos com a roupa do trabalho e pais de família. Em menor número, casais héteros também aparecem. “Já fui para transar com meu namorado. Fomos com o carro dos pais dele. Achei excitante a experiência, mas não saímos do veículo”, conta Larissa*, 20 anos, estudante.
Com espaço garantido para o exibicionismo, o voyeurismo e o dogging (vide box), além de uma barraca de praia que vende cerveja e petisco até de madrugada, o pistão é um destes lugares que passam despercebidos, mas possuem muitos atrativos. “Não podemos ter uma visão preconceituosa. Praticar sexo em público é um fetiche, um comportamento normal, comparável a vestir uma fantasia ou utilizar acessórios sexuais, como algemas, por exemplo”, aponta a psicóloga Ivani Ribeiro.
O único cuidado é garantir que os observadores da transa, se existirem, não se sintam constrangidos ou animados a ponto de tentarem interferir no namoro. Praticar sexo em público, apesar de não ser desvio comportamental, se enquadra como atentado ao pudor, com pena de reclusão de seis a dez anos prevista nos artigos 213 e 214 do Código Penal. Mas no tapetão isso não parece ser um problema. Afinal, o espaço existe há anos e nunca os namorados foram presos ou submetidos a constrangimentos moralistas.
Dogging – Prática sexual cunhada na Inglaterra em que os adeptos transam dentro ou fora de automóveis, com uma platéia ao redor. A brincadeira mistura exibicionismo, voyeurismo e swing. Deve obrigatoriamente ser feita ao ar livre e à noite. Durante a transa, os ocupantes acendem a luz interna ou os faróis. O público não pode abrir a porta ou tocar nos protagonistas do jogo, a menos que sejam convidados. Nesse caso, a senha é a abertura das janelas.
Se oriente – Já existe um mapa para quem gosta de fazer sexo em lugares inusitados. Alguns dos melhores locais do mundo para se fazer sexo em público estão aqui. Já foram marcados locais de vários países. Em terras brasileiras, apenas a Ilha Comprida, MS, foi inserida no mapa. Com certeza há mais. Participe e envie uma foto do local mais inusitado em que você já fez sexo.
*Os nomes reais das fontes foram preservados.
Empreendedorismo é marca registrada dos vendedores ambulantes
Uma noite movimentada e o ex-vendedor de eletrodomésticos, Osias Figueiredo tira o que levaria três meses para ganhar no antigo emprego. O principal produto vendido por ele é o cachorro quente, no valor de R$ 2,00. Quem também tem renda média mensal superior a três vezes o salário mínimo é o ex-garçom, Jorge Sousa, que há 20 anos vende guloseimas.
O vendedor ambulante, Osias Figueiredo começou a venda de lanches em um isopor, e hoje após 28 anos, já possui uma mini-van, onde comercializa lanches nos dias de festa em frente a Boate Madrre. Faturando R$ 1.200 numa noite, o ambulante veterano sustenta três filhos. Osias é seu próprio patrão, mas confessa que o trabalho é incerto, “sendo ambulante eu posso me administrar, fazer os meus horários, sem ter que dar satisfação a ninguém, mas é uma atividade inconstante, só garantimos o nosso quando as pessoas têm dinheiro para gastar”, ressalta.
Uma característica do trabalho de Osias é a relação amigável com os freqüentadores e funcionários da boate. Ele revela que o tempo em que está no ramo permitiu-lhe algumas regalias, como, entrada gratuita nas festas e a conquista do direito de não ser importunado pelo “rapa” durante as blitzes. “Eles não me incomodam, por que comercializo meus lanches numa towner, preparada especialmente para isso”, destaca.
Um dos fatores que contribuíram para Osias tornar-se vendedor autônomo foi o desemprego. Segundo as informações da Pesquisa de Emprego e Desemprego da Região Metropolitana de Salvador, a redução da taxa média anual de desemprego passou de 21,7% em 2007 para 20,3%, em 2008. A diminuição de 6,5% resultou na geração de 39 mil ocupações, dentre elas, a de vendedor ambulante.
Para a coordenadora da Pesquisa, Ana Margareth Simões, “Quando se trata de período de expectativas ruins para a economia, a auto-ocupação, principalmente aquelas de caráter mais instável tendem a crescer, pois as oportunidades de encontrar uma ocupação mais formalizada se reduzem”, esclarece a economista. Esse mesmo caminho foi seguido por Jorge Sousa, vendedor ambulante de longas datas. Vinte dos seus 44 anos de idade foram dedicados à venda de balas, chocolates, salgadinhos, dentre outras centenas de variedades que enchem o carrinho.
Jorge sai do Alto da Chapada do Rio Vermelho, as seis da manhã, em direção a porta do Colégio ISBA e permanece no local até às 21h30. Atendendo sempre com um sorriso estampado no rosto, para ele uma boa relação com os clientes é importante para o sucesso do negócio, “faço amizade de acordo com cada cliente, tem gente que não quer ser amigo”, confessa. Assim como Jorge e Osias, outros 14,6 milhões de pessoas desempenham alguma atividade empreendedora, ou seja, cerca de 12,02% da população brasileira adulta, segundo dados do Sebrae.
A edição anual da pesquisa GEM 2008 (Monitoramento Global da Atividade Empreendedora numa tradução livre) - um estudo que compreende a relação entre o empreendedorismo e o desenvolvimento econômico dos países do G-20-, revela que o Brasil está em terceiro lugar com visão empreendedorora.
Conhecido também como porta-voz das festas, os ambulantes, em sua maioria, agradam a clientela pela maneira divertida que atendem. Um caso que exemplifica essa relação é o da publicitária, Ilka Danusa Correia, que procura sempre conversar com esses trabalhadores. “Eu acho que a maioria desses ambulantes tem uma visão empreendedora, eles sabem criar estratégias para melhorar o seu desempenho. Além disso, eles têm conhecimento dos eventos que acontecem na cidade, são os verdadeiros garotos propagandas”, ressalta a publicitária.
Uma noite que dura uma eternidade
Corredores lotados, portas abrem e fecham com freqüência, correria, apreensão, sangue e lágrimas. Esse é o cenário que podemos registrar em uma noite de final de semana no Hospital Geral do Estado (HGE). Um hospital, que recebe cerca de 70 ocorrências durante a semana, tem esse número elevado no período entre sexta feira e domingo. O maior Hospital da Bahia, torna-se o pequeno quando abriga seus pacientes, muitas vezes, vindos de fora da cidade.
Dependendo do dia da semana e do acontecimento, os corredores ficam lotados. Os médicos escolhem quem será atendido primeiro, por critérios de gravidade de estado de saúde. Os policiais, que trazem vítimas para serem socorridas, se misturam com os enfermeiros, maqueiros e pacientes. Os familiares tornam o ambiente altamente barulhento e movimentado. Frases como: “Eu avisei a ele que não saísse” ou perguntas do tipo “E agora o que será de minha vida?”, são ouvidos à todo tempo, entre os visitantes em meio à abraços e choro.
Os enfermeiros prestam os primeiros socorros já nos corredores da instituição. Muitas vezes precisam dar as respostas que angustiados familiares querem ouvir. “Não se preocupe ele ficará bem”, os enfermeiros dizem para evitar mais turbulência no local. Outros não têm tanta paciência e ignoram o sofrimento dos parentes das vítimas, encaminhando com rapidez o paciente para o interior do hospital. Enquanto isso, os médicos aguardam os prontuários dos enfermeiros para iniciar os atendimentos.
Na noite de final de semana, geralmente quem ocupa os bancos de espera, em frente ao posto policial do hospital, são namorados (as) ou amigos que aguardam notícias. “Estou aqui esperando a enfermeira para saber do estado do meu colega”, relata o entregador de pizza, Márcio de Almeida de 23 anos. Segundo ele, o colega, Valnei Silva Carvalho, de idade ignorada, estava na carona da moto, quando eles caíram após uma fechada de um carro Celta, de placa policial ignorada.
Casos de todos os tipos e de todo o Estado chegam ao HGE. De acordo com o vigilante do local, que não quis se identificar, a maioria das entradas à noite é proveniente de causas naturais, como infarto ou problemas de respiração, também de conseqüência de excesso de álcool, confronto entre bandidos ou policias e brigas diversas.
Devido à deficiência na saúde pública, muitos chegam ao local em carros emprestados de municípios vizinhos à Salvador. “Meu filho teve que ser transferido para cá porque lá não aparelhos para a cirurgia dele”, relatou a dona de casa Claudete da Silva Costa de 49 anos. Com uma expressão de cansaço, Claudete comprava um lanche após trazer o filho de 19 anos que sofreu gravas queimaduras no município de Elísio Medrado, à 240km de Salvador. Passar uma noite em local como o HGE, pode durar uma eternidade, não só para quem é paciente. Mas também, para quem observa e se sente inútil diante de tanto desespero.
terça-feira, 16 de junho de 2009
Gastronomia soteropolitana: a volta ao mundo em 70 dias
Enquanto Phileas Fogg (personagem de Júlio Verne) precisou de 80 dias para fazer a volta ao mundo e manter contato, mesmo que superficial, com as mais diferentes culturas, qualquer soteropolitano, munido de espírito de aventura e curiosidade, assim como Fogg, é capaz de vivenciar, em um prazo um pouco menor, sensações semelhantes, pelo menos quando o assunto é paladar, visto que são aproximadamente 70 ambientes especializados em comidas típicas de outros países.
Os restaurantes mexicanos e italianos são, geralmente, os mais freqüentados por terem preços razoáveis. O Alfredo di Roma, Ondina, oferece pratos típicos com preços que podem chegar a R$39,90. Da mesma forma, o Sukiyaki, Rio Vermelho, garante um farto almoço executivo por R$19,90 o buffet. Os clientes buscam conhecer de maneira mais específica um pouco da cultura do país que nunca foram ou que pretendem, um dia, conhecer. Sandoval Carvalho, empresário, é frequentador assíduo do Chez Bernard, especializado na comida francesa. “Toda vez que venho aqui, consigo experimentar um pouco mais do país que amo tanto”, diz empresário que já visitou a França três vezes.
Para ajudar na ambientalização o restaurante é muito requintado com vários quadros da França expostos na parede e cadeiras no estilo Luís XV. O Chef belga Laurent Rezette disse que a gratificação do cliente é a maior felicidade para quem trabalha na cozinha. “Eu também invento as receitas na hora, acredite. Daí ofereço o prato de mesa em mesa para ver se os clientes gostam”, contou Rezette, muito entusiasmado.
“Apesar de nunca ter ido a outro país, Salvador me proporciona o bem estar em relação à gastronomia e me permite viajar por muitos lugares sem sair daqui”, disse Marluce Silva, secretária executiva, enquanto tomava uma taça de vinho ao lado do marido.
A cada dia que passa a cidade fica sempre mais cheia de diversificações na gastronomia mundial e além de servirem comidas típicas, ainda colocam os clientes para dançar. “A moda de se freqüentar restaurantes com comidas típicas de outros países é o reflexo da tentativa do indivíduo de se inserir num contexto de diversidade”, afirmou o sociólogo Rafael Portinho. “Aquele que não tem a sensibilidade de experimentar outras culturas acaba se sentindo ‘de fora’ do processo, um ‘café-com-leite’ no jogo das interações sociais”, acrescentou.
Salvador possui restaurantes portugueses, chineses, japoneses, franceses, tailandeses, árabes, asiáticos, italianos e astros-húngaros. O público visita porque gosta, tem vontade de experimentar novos pratos e ter contato com outras culturas. Pagar R$70,00 (preço médio por pessoa dos ambientes mais sofisticados), para estas pessoas, na maioria das vezes é um prazer. Sair da rotina e sentar-se em uma mesa com amigos ou apenas uma companhia, pedir um vinho e logo em seguida solicitar uma lagosta grelhada com molho de aspargos, servida na própria casca e com arroz de legumes, é uma oportunidade que nem todos têm. Em 70 dias, um soteropolitano poderá fazer uma volta ao mundo gastronômico sem sair da cidade.
sexta-feira, 12 de junho de 2009
A segurança pública em Salvador pede socorro
“Eu me sinto segura, pois sempre ando com Deus no coração” (Cristina Veloso (foto), delegada plantonista da 4ª Delegacia – São Caetano)
Morar ao lado de uma delegacia de polícia gera uma sensação de segurança, que pode acabar na primeira rebelião, tentativa de resgate de presos ou problema similar. A tranquilidade se vai e ficam, em seu lugar, o medo e a tensão.
A Delegacia de São Caetano ocupa um prédio de dois andares. A sala de espera tem cerca de quatro metros por seis, com cadeiras, TV, ar condicionado e computadores. O distrito policial de Periperi tem guarita, garagem para mais de 30 veículos, sala de espera com ar, sala para delegado e de triagem de queixas, tudo contrastando, nas duas unidades, com o espaço reservado às celas. Os grupos de presos se amontoam em saletas de 3m por 4m. Por isso, nem sempre todos vão dormir no mesmo horário: não tem lugar suficiente. Eles se revezam, fazem escala. Enquanto uns dormem, outros ficam de vigília.
Durante o dia não há atividade de ressocialização. O tempo é gasto com bate-papo e as paredes são usadas como tela: palavras soltas, rabiscos incompreensíveis e números que marcam a passagem dos dias se misturam a orações, pensamentos de liberdade e frases de revolta. Este é o cotidiano deles. As roupas ficam penduradas nas grades e em cordas estendidas fora das celas. É a imagem daquilo em que se transforma o homem, resultado da injustiça social que massacra e transforma as pessoas em seres quase inumanos.
De acordo com o Sociólogo Jorge Hilton, 32, é necessário modernizar as instituições e o sistema prisional. Para ele, o controle social em matéria de segurança pública precisa avançar do atual modelo de democracia representativa para a democracia participativa. “O Programa Nacional de Segurança Pública e Cidadania (Pronasci), lançado em 2007 pelo governo federal, deve ser monitorado pela sociedade civil e universidades”, afirma.
PLANTÃO
Apesar de Salvador ser uma cidade muito violenta, à noite o movimento cai nos distritos policiais visitados. As ocorrências mais comuns: queixas de perda de documento, agressões, ameaças, arrombamentos e tentativas de homicídio. Cristina Veloso conta que 70% das reclamações em São Caetano corresponde a agressão ou ameaça. Quando ocorre homicídio, o efetivo de duas viaturas não dá conta do serviço. Nos casos graves como morte, acidente ou perseguição, é necessário “pedir reforço da Polícia Militar, do Comando de Operações Especiais, para deslocarem veículos de outras áreas”, diz a delegada.
Outro problema é a falta de cursos de reciclagem e pós-graduações. “Os poucos cursos oferecidos são pagos pelos próprios servidores”, afirma Cristina Veloso. Ela portava colete à prova de bala e revólver quando chefiava de unidades do interior, “mas quando vim trabalhar em Salvador não me deram, sob a alegação de que aqui não precisava”, pontua.
Marival Oliveira (foto), 47 anos, coordenador da delegacia de Periperi, trabalha a 22 anos na polícia e
Insegurança
O delegado Giovani Paranhos dos Santos, 52 anos, plantonista da 5ª DP (Periperi), dez anos de polícia, trabalha 24 horas por 72 de folga. Mora em Itapuã e dirige o próprio carro, “sempre de vidros fechados”, revela. Ele já foi assaltado, mas não reagiu. Sobre a segurança em Salvador, orienta “não atender celular em qualquer lugar, não carregar dinheiro em grandes quantias, andar sempre com os vidros do carro levantados”.
“Causos”
Um caso pitoresco que a delegada se recorda aconteceu numa cidade do interior. Ela apurava o furto de três vacas. As pistas indicavam que os animais tinham passado por um vilarejo e seguido em direção à fazenda de uma pessoa importante da região. Localizado, o proprietário da fazenda alegou não ter animal sem documentação e sem o “ferro”, marca com as inicias do dono. O verdadeiro dono das vacas era cego e não tinha “ferrado” seus animais, mas relatou que as vacas atendiam ao chamado dele, pelos nomes de Pintada, Bolinha e Manchada. Quando o queixoso chegou ao curral e chamou pelos nomes, as vacas saíram do rebanho e vieram para próximo do seu verdadeiro dono. O crime foi desvendado e os suspeitos foram ouvidos e autuados.
quarta-feira, 10 de junho de 2009

Os primeiros passos foram positivos, como a redução de acidentes e maior disciplina dos motoristas.Quase um ano depois a fiscalização afrouxa e condutores relaxam.
Por Rachel Barretto
Efetivada em Junho de 2008 a lei seca que proíbe o consumo da quantidade de bebida alcoólica superior a 0,1 mg de álcool por litro de ar expelido no exame do bafômetro por condutores de veículos teve como uma de suas primeiras vítimas na cidade o estudante Alexandre Siqueira,23 anos.Ao sair de uma festa na Pituba, foi surpreendido com a apreensão da carteira de habilitação, por dirigir alcoolizado alguns dias depois da lei entrar em vigor.
Passado um ano da implementação, a situação é bem diferente. O próprio Alexandre conta que a lei foi só um alarde inicial “Eu digo isso porque nesse ano eu já saí de festas à noite e não tenho visto blitz nas ruas. É mais uma prova que aqui tudo acabou em pizza” conclui Alexandre.
Já o comerciante Jaime Teixeira,acredita que o problema esteja na falta de campanhas de conscientização “Acho que o país podia aproveitar o investimento caro numa lei que tinha tudo para dar certo,e criar campanhas que conscientizem o motorista que sua própria vida está em risco com o consumo excessivo de álcool” conclui Teixeira.
Um balanço divulgado pela Transalvador mostra que o número de acidentes com vítimas no trânsito, no primeiro mês de vigência da lei, caiu de 1100 para 600 ocorrências. Esse ano o número já voltou a subir para 800 ocorrências. “Se isso continuar todo o mérito alcançado no início será jogado fora” diz o especialista em trânsito da Polícia Militar, capitão André Pereira Borges. Uma perda significativa, não apenas em relação aos acidentes que estão voltando a acontecer mais também em números. Afinal,deixar que a lei esvasie, simplesmente equivale a jogar os R$ 15 milhões investidos na lei e na estrutura para que pudesse ser cumprida na lata do lixo.
Nos hospitais também houve mudanças por causa da lei.Logo depois de implantada os acidentes reduziram 60%.O Hospital Geral do Estado, na capital baiana recebeu 62% menos de acidentados no trânsito.Hoje, o número de acidentes continua reduzido em 29%, mas este número é metade do registrado no mesmo período do ano passado. Em 2003 a jovem Paula Oliveira, na época com 20 anos,ficou com sequelas de uma acidente de moto que aconteceu quando ela e o namorado saiam de uma festa “Ele estava embriagado e perdeu o controle da moto, na queda ele morreu na hora e minha sobrinha teve um traumatismo craniano e uma lesão na coluna. Depois do acidente ela teve que aprender tudo de novo, a falar e andar. Até hoje, ela ainda está nesse processo de reabilitação, e melhorando cada dia um pouquinho” conta a tia de Paula, Vera Lúcia.
Esquecer a lei e permitir que as pessoas voltem a dirigir embreagadas é simplesmente fechar os olhos para casos como o de Paula Oliveira e voltar a conviver com números cada vez maiores de acidentes provocados pelo consumo irresponsável de álcool. O especialista em trânsito da Polícia Militar, capitão André Pereira conclui afirmando que para a lei seca ser eficiente é necessário mais fiscalização “Eu sinto falta de campanhas educativas. Ainda que não tenham tanto impacto como as ações diretas, a exemplo de blitz, elas são necessárias para ajudar a criar uma cultura contrária a combinação bebidas e direção. “Só com um conjunto de medidas é que realmente vai haver uma redução nas mortes de trânsito causadas por alcoolizados.”
“Um dia estava voltando de uma confraternização do trabalho, quando uma blitz e fiquei com medo de parar, então pensei rápido e não parei na blitz,os guardas vieram atrás de mim até que eu peguei um atalho e parei o carro uma rua deserta e fui embora. No dia seguinte me ligaram questionando o fato de ter fugido da blitz, e eu disse “olha meu carro ontem foi roubado.”
Paulo Mathias,48 anos.
sexta-feira, 5 de junho de 2009
Jovens são os maiores infratores da lei seca em Salvador

Eduardo Machado
Nos bairros populares da cidade de Salvador o consumo de bebida e o conjunto dela com a direção por jovens è constante. Donos de bares vendem bebidas sem nenhuma preocupação em respeitar as leis e as conseqüências dessa mistura perigosa. A Transalvador, responsável pela fiscalização do trânsito na cidade e da alcoolemia (LEI SECA), afirma realizar operações em toda Salvador, mesmo assim, as vítimas de colisões, choques, capotamentos e outras ocorrências similares, no total de 45,68% tinha entre 18 e 29 anos. Os jovens soteropolitanos ainda é o predominante entre os infratores e feridos no trânsito.
Em Pau da Lima a situação não é diferente, o comandante da 47º Companhia da Policia Militar, Gilson Lopes, 44 anos, afirma que basta chegar um final de semana para que os bares da comunidade estejam repletos de jovens com inseparáveis copos de cervejas ou outras bebidas. Segundo o comandante a fiscalização do transito é feita, geralmente, pela polícia militar e que a Transalvador quando vêem em Pau da Lima é para registrar ocorrências de acidentes. Para Gilson Lopes o consumo de álcool por jovens é um problema sério e que foge do controle das instituições de segurança.
“A Companhia possui mais demandas do que suporta a estrutura do seu efetivo. Só tem três viaturas para realizar as rondas diárias em um bairro que tem em média 330 mil habitantes e, nos finais de semana, ainda fiscaliza o trânsito”, reclama o comandante. Segundo ele, o quadro é agravado pelo fato da Transalvador não gostar de trabalhar em conjunto com a PM.
Vítima da falta de fiscalização e de projetos educativos para o trânsito, Rogério Santana, de 19 anos, perdeu a perna esquerda em um acidente de moto. Rogério, tirou a carteira de motorista no mesmo ano em que sofreu o acidente. No dia 5 de Abril do ano passado, passou a madrugada no ‘Bar do Negão’, localizado no Largo de Pau da Lima. Ao sair do bar, após muitas cervejas regadas a horas de conversa com os amigos, bateu de frente com uma caminhonete. Quase morreu. Além de perder uma perna, fraturou cinco costelas, possui uma platina na mão esquerda e ainda não se adaptou com a nova vida, “só tenho 19 anos, me arrependo de tudo! Agora sei da importância de não misturar álcool e direção” disse Rogério.
A Assessora de comunicação da Transalvador Maria José afirma que o combate da alcoolemia é feito geralmente nos finais de semana e, de forma mais intencional, nos locais que existem casas de shows. Ela ainda disse que a equipe de fiscalização circula bairros de Salvador como Pau da Lima, Paripe, Brotas e Boca do Rio e que esses lugares possuem aparelhos de redução de velocidade.
Ações que, segundo as estatísticas, têm resultados insatisfatórios. Para Gilson Lopes é necessário que haja um trabalho de fiscalização conjunta da PM com a Transalvador e acompanhado por ações educativas nas comunidades. “As pessoas são violentadas diariamente, falta educação e informação, as conseqüências são também as outras formas de violência como a violência no trânsito, nas ruas”.Conclui o comandante do 47ª Companhia Militar.
Trabalho e “balada” agitam noites dos ambulantes
Seja no Museu do Ritmo ou no Parque de Exposições, na Concha Acústica ou no Porto da Barra, onde tem festa, tem ambulante. Eles estão sempre presentes como integrantes de um mercado informal que busca na diversão alheia a forma de sobrevivência.
Sem registro em carteira, Terezinha Maria de Jesus, a ‘Teca do Churrasco’, 43 anos, fatura entre R$ 600 e R$ 1.000 reais mensais, vendendo churrasquinhos nas festas em Salvador. Mãe de oito filhos, Teca é analfabeta e não teve oportunidades no mercado formal. Logo cedo descobriu as vantagens e os sofrimentos de ser uma vendedora ambulante.
“Às vezes trabalho apenas uma hora, às vezes a noite toda. Nunca sei quanto vou ganhar no mês, mas entre ficar sem fazer nada e ganhar algum, é melhor trabalhar”, afirma ela.
Para o estudante Cristiano Bonfim, 24 anos, a barraca de Teca é passagem obrigatória."O churrasquinho é uma delícia, e ela está sempre de bom humor” diz, enquanto saboreia um espetinho.
MERCADO POTENCIAL
Salvador é uma cidade movimentada por ter muitos pontos turísticos, atraindo assim, pessoas de todos os lugares. Segundo a Bahiatursa, a Bahia recebe anualmente cerca 4 milhões de turistas, sendo 800 mil estrangeiros. Tal fato gera o crescimento das atividades consideradas informais. Dezenas de pessoas encontram na comercialização de bebidas e petiscos, a alternativa de complementar o salário.
Os baladeiros são o principal alvo das pessoas que atuam no comércio de rua. Nos finais de semana, os eventos musicais disputam os consumidores com os vendedores que ficam do lado de fora dos shows. O movimento começa cedo. Tem início às cinco da tarde, quando eles chegam para a montagem dos pontos de venda. A variedade de opções é grande e com isso, quem sai ganhando é o cliente, que pode escolher como e quanto vai poder gastar para se divertir.
Esses trabalhadores redescobrem na rua, novas possibilidades de sobrevivência, criando suas próprias regras, sendo ambulante e “empresário” ao mesmo tempo.
Não é raro encontrar entre os vendedores pessoas que tem emprego e carteira assinada como Genilson Brito, o ‘Veinho’. Casado, pai de três filhos, durante o dia é oficce boy e ganha um salário mínimo. Como o dinheiro é pouco, aproveita as festas para ajudar no orçamento. Para ele, a vida de vendedor é incerta, mas não dá para ficar sem ter um ganho extra. “Tem dia que rende muito, dia que rende pouco e dia que não rende nada, mas não pode desanimar”, afirma ele, enquanto arruma o isopor para mais uma noite de jornada.
SOLIDARIEDADE
O espaço por eles dividido é competitivo, mas percebe-se um sentimento de coletividade entre eles. Ao lado da barraca de Teca, tem a do João do pastel, a das bebidas de ‘Veinho’ e a do príncipe maluco da ‘Nita’.
Em todos os eventos eles se encontram. Quem tem carro transporta o material necessário para trabalhar, como mesa, banco, chapa, isopor, etc Quem não tem, se vira com um carrinho de mão, ou leva na cabeça mesmo. O importante é trabalhar.
O ritmo de vida dos ambulantes é cansativo. O lucro, imprevisível. Mas uma coisa é certa: a diversão é garantida. O lazer para eles está intimamente ligado ao trabalho que exercem, pois se aproveitam desses momentos de festa para esquecer o cansaço.
“Não tenho dinheiro para gastar em outro lugar. Aqui tem tudo o que gosto, então, prefiro aproveitar para ganhar um extra, e ainda me divertir”, afirma o “João do pastel”.
Aqui, ali e em qualquer lugar
O Vale das Pedrinhas, “primo pobre” do badalado Rio Vermelho, é exemplo de como ambulantes podem fazer a noite boa, barata e perto de casa
Danielí Nunes
O pé sujo do Vale das Pedrinhas é composto por trabalhadores que sustentam suas famílias vendendo alimentos e bebidas na única praça do bairro, situada no terminal de ônibus. Apesar de não ser nenhuma Cult, a periferia tem seus atrativos.
Em suas barracas improvisadas ou carrinhos esquematizados esses vendedores se articulam para ganhar o pão de cada dia. O melhor é que eles também são moradores do bairro e por conhecer a todos, acabam criando a sua freguesia noturna.
Uil é dono da barraca de bebidas, conta que a musica sempre trás uma boa clientela e suas bebidas exóticas fazem sucesso, capeta, nevada, coquetéis, picão, rabo de arraia entre tantas outras, então ele improvisa com duas caixas de som pra chamar a atenção da galera.
Todas as barracas são simples, mas isso não atrapalha na venda de nenhum desses ambulantes. George de Souza, 26 anos, juntamente com seu irmão Valmir, 29 anos, são proprietários de duas barracas de salgados, uma delas fica na escadaria que dá acesso a bairros conjuntos e outra em frente a barzinho que fica no terminal.
Mesmo tendo estrutura simples com cobertura de lona e botijão de gás para fritar as coxinhas de frango, os irmãos vendem mais de 200 peças na semana e chegam a faturar mais de dois salários mínimos garantindo o sustento da família.
Jair dos Santos é dono do carrinho de churus e conta “vendo mais quando no fim do dia então nem fico até tarde vendendo”. A maioria dos consumidores desse alimento são as crianças, e por esse motivo ele começa a vender às 17hs, são mais de 30 churus vendidos a R$0,70 de segunda a sábado, gerando um lucro semanal de R$150 por semana.
As baianas de acarajé também aparecem em todos os cantos da cidade, a exemplo Dona Cida que arranjou uma lata de tinta um sombreiro e um pequeno tabuleiro para vender seu acarajé, sua renda chega ser mais de R$200 por mês, ainda sim por motivo da idade que não lhe permite trabalhar todas as noites.
ESTATÍSTICAS
De acordo com informações da Central Única dos Trabalhadores da Bahia (CUT) a desaceleração do mercado de trabalho não atingiu o rendimento médio do trabalhador e nem o conduziu para informalidade que teve redução de 1,3 pontos percentuais no primeiro trimestre de 2009. No entanto é necessário deixar evidente que o rendimento continua elevado em ambas às esferas do comercio baiano.
O administrador Anderson Ferreira, trouxe uma opinião mais recente e diz “O mercado informal tende crescer cada vez mais já que crise econômica nem mesmo deixou livre aqueles que trabalhavam de carteira assinada, tudo indica que o centro de Salvador irá ficar mais cheio de vendedores ambulantes...”.
Segundo o técnico da Coordenação de Trabalho e Renda do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), Roberto Gonzalez "Apesar da redução do crescimento do emprego, não está havendo troca do trabalho formal pelo informal, o que é um bom sinal, já que o trabalhador mantém o patamar de direitos. O problema é que o Brasil vinha num processo de crescimento de formalização e que está sendo interrompido, mas pelo menos não estamos voltando a uma era de informalidade, o que seria mais difícil de se reverter e demandaria mais longo prazo", afirmou.
Noites Vermelhas
O bairro de Salvador que garante diversão dos alternativos aos conservadores
Por Carolina Câmara
Casas grandes, pouco movimento, ruas largas, esse era o cenário do Rio Vermelho nos anos sessenta. Hoje, com a vida noturna mais diversificada de Salvador, o bairro aglomera em suas praças e ruas, diariamente, centenas de pessoas. Com bares, restaurantes, igrejas, faculdades, teatros e baianas de acarajé, ele oferece aos notívagos uma variedade de gostos, cores e sons.
Desde o século XVI há notícias de habitantes das aldeias Tupinambás no rio Camarogipe, ( camara, flor vermelha, jipe, rio ). Cheio de história como a do náufrago Diogo Álvares, o Caramuru, o bairro é festivo desde 1929, registro da primeira festa popular, 2 de fevereiro, dia de Yemanjá. O início da sua modernização, com o calçamento, correu no mesmo período. Habitado por pescadores, poucos moradores e comerciantes, nos anos cinqüenta, ele foi um local ideal para veraneio. Mais duas décadas, e o famoso Rio Vermelho, foi frenquentado Dorival Caymmi, compositor e cantor, Caetano Velos, o escritor João Ubaldo Ribeiro, os artistas plásticos Carlos Bastos e Carybé, o escultor Mário Cravo Júnior, nos anos setenta. Atualmente é ecleticamente formado por antigos moradores, turistas, comerciantes, empresários, muitos boêmios, formadores de opiniões, artistas e curiosos.
Mesmo com suas praias, o pôr-do-sol, o cheiro de mar constante, é a noite que atrai e aquece a cidade. Varandas das casas transformam-se em pistas de dança, o acarajé da Dinha reúne fãs e curiosos, o teatro Sesi traz seu público, a moderna pirâmide de vidro do Tom do Sabor recebe seus visitantes, para ler, comer e ouvir música, os bares ficam repletos. São mais de 10 restaurantes, quatro pizzarias, 10 bares, rodas de capoeira, som ao vivo nas praças, e muitas opções para dançar indo do reagge do Pinta e Nina ao rock da Boomerangue.
Lugares como a famosa Borracharia, que durante o dia recebe carros e pneus, e a noite vira o undergraound bar dançante todas as sextas e sábados, faz fila de espera na porta. Dentro tem os freqüentadores assíduos, muitos amigos do proprietário, Alberto Lopes, morador do bairro desde que nasceu, fora a presença dos que querem entrar e ver de perto as sucatas, pneus, obras de arte, velas e santos espalhados pelo espaço. Essa mistura cultural, racial, religiosa, a liberdade artística, que caracteriza a noite do Rio Vermelho.Tudo parece possível; comer uma pizza no recente e sofisticado Piolla, gastar R$ 50 reais, sair, andar 30 metros, subir no Pós Tudo para tomar o famoso cérebro de macaco, drink adocicado típico e único do bar, e ter a sorte de ser servido por Seu Sales, que esta há mais de vinte anos da casa, descer, dobrar a esquina e entrar no contido Twist, para dançar até a madrugada ao som da Madona.
A noite normalmente é longa, só sentar na praça para comer um acarajé pode render o encontro com amigos, uma cerveja, a vontade de ouvir os trios de sanfoneiros que andam em volta da Igreja, e assim, esticar. Nem a Lei Seca, recentemente implantada, diminuiu o movimento, o consumo de álcool caiu, os táxis aumentaram, mas o ti ti ti na noite continua agitado.
Além daqueles que gostam da farra à noite, o bairro incorpora muitos trabalhadores, como os guardadores de carro, os garçons dos estabelecimentos, os vendedores ambulantes, as barraquinhas com artesanato nas praças, os distribuidores de fly, divulgando outros eventos, os seguranças nas portas. A fotografia do lugar é de carros e pessoas transitando, cada um com seu ofício, diversão ou trabalho.
Quarentões revivem adolescência na noite baiana
Hoje é cada vez mais comum a presença de pessoas com mais de 40 anos em ambientes que antes eram restritos aos jovens.
Por Carla Cezar
Lápis de olho, blush, batom, uma roupa transada e, claro, um belo salto alto, pronta para sair. Espera! Faltam os acessórios: brincos, pulseiras e colar. Para ele, uma calça Jeans e uma blusa esporte fino. Agora sim, prontos para a balada. Esse é o ritual do casal Miguel Santos, 45, e Marlene Machado, 39, ambos divorciados. Ta achando estranho? Pois é, muitos coroas descobriram que a maturidade é para ser vivida, e estão invadindo a “praia” da moçada e tornado-se os mais novos ‘baladeiros’ do momento, freqüentando barzinhos, casas de show e restaurantes com ambiente musical.
É cada vez mais comum encontrar nas noites baianas pessoas de 45 a 60 anos, em busca de diversão. Os locais mais procurados são os restaurantes, afirmam Valdomiro Santos, 52, e sua esposa, Maria do Carmo, 46, que saem uma vez por semana para jantar e dançar. Valdomiro conta que a dança salvou o casamento. “Meu casamento estava muito desgastado e na tentativa de salvar a relação de 23 anos, eu e minha mulher começamos a fazer aula de dança de salão, desde então saímos sempre com os amigos para dançar”. O local preferido do casal é o restaurante Santíssima Bahia, “porque é um ambiente agradável e familiar. Além de ter espaço para dançar, a música e a comida são de boa qualidade”, afirma Maria do Carmo.
Já a professora Rose Cezar, 46, e suas amigas Cristiane Bonfim, 49, e Judite Santos, 54, todas divorciadas, curtem mais barzinhos, casas de shows e festas populares. Rose, a mais festeira do grupo, conta que adora dançar e já é freqüentadora assídua do Cantarerê e do restaurante Grande Sertão, onde costuma ir para dançar forró e também uma boa seresta. Para elas não existe dia ruim, com roupas valorizando o corpo e uma bela maquiagem, as amigas apostam na dança para se divertir.
A disposição dessas mulheres é de causar inveja a muitos adolescentes. Cristiane conta que apesar delas preferirem um ambiente mais tranqüilo com música para dançar a dois não dispensam a agitação de uma grande festa como o Festival de Verão. Este ano, elas curtiram os quatro dias no camarote. Entre risos e descontração, Judite lembra que foi paquerada por um rapaz que tem a idade de seu filho. “No intervalo das bandas, eu fiquei guardando o lugar das meninas que foram comprar uma bebida, nesse momento um moreno lindo se aproximou e perguntou se podia me conhecer, fiquei super nervosa e comecei a rir. Adorei aquela situação, me senti jovem outra vez” (risos).
Apesar da capital baiana ser conhecida como a terra do Axé e do Pagode, ritmos mais tradicionais estão conquistando o público soteropolitano, principalmente sons como Salsa, Country, Forró, Bolero e muito mais. De acordo com o professor de educação física, Rodrigo Serpa, há um aumento expressivo desses ‘jovens a maioridade’ à procura de academia, principalmente, para se entregar ás aulas de dança de salão. “A maioria dos meus alunos tem entre 45 e 50 anos e são os mais animados, eles utilizam as aulas para se livrar do estresse e saem sempre para dançar. O intuito da grande procura é exatamente para não fazer feio na noite baiana”. E o melhor desta nova moda é que além da diversão os ‘novos bailarinos’ estão também dando um adeus definitivo para sedentarismo.
Se adaptar ou cair fora

Por Camila Fontes
“Bahia de todos os santos, encantos e axés, sagrado e profano, o baiano é carnaval”. Se o compositor Moraes Moreira acertou em cheio no espírito festeiro do povo da Bahia, esqueceu de dizer que esta festa é de uma nota só, onde apenas o axé tem espaço e reconhecimento. Na maior festa do planeta, a não ser em raras e pequenas exceções, nem mesmo o samba consegue subir ou descer as ladeiras da Barra e do Campo grande (circuitos do Carnaval baiano). E se esta monocultura se impõe até entre o mais tradicional estilo musical brasileiro, espaço para o rock, nem pensar.
Carlos Alberto Soares, 40, apaixonado pelo rock, tenta até hoje uma ascensão. Ex-vocalista da Cravo Negro, banda criada em 1987, chegou a ser reconhecido na rua. “Eu passava pelo shopping e as pessoas me reconheciam e cantavam”, relembra. A banda fez um sucesso regional relâmpago mas acabou desaparecendo frente à decisão das rádios e gravadoras fecharem o universo musical baiano em apenas um estilo. Caminho semelhante seguiram outros grupos que ameaçaram decolar, como Diário Oficial, Elite Marginal e Utopia. “A gente se juntava e fazia um movimento para divulgar o rock baiano, pois os meios de comunicação davam mais espaço para o axé”, diz Stize, nome artístico na época.
Sem espaço, por vezes o jeito foi mudar de lado, ou melhor, de estilo, como aconteceu com Tuca Fernandes que trocou o rock da Diário Oficial pelo axé do Jammil.
Para o cantor, após o estouro de Daniela Mercury em 92, os outros estilos musicais simplesmente perderam espaço na Bahia. “Depois de Daniela foi muito difícil manter a banda”, afirma o artista. Na tendência do mercado o jeito foi se adaptar, ou seja, se render ao novo estilo, “mas sem perder a essência do rock”. O Jammil, hoje, é a banda de axé que mais leva a pegada do pop rock. Contudo, Tuca nega ter uma visão puramente comercial, “não foi por dinheiro, mas por amor à música. Trouxe o rock para o Jammil e hoje bandas como Jota Quest e Capital Inicial a respeitam”, afirma.
Nem sempre foi assim
No final da década de 80, apesar de todas as dificuldades com a estrutura e divulgação dos shows, as bandas conseguiam se destacar no cenário regional e lotar casas na capital e em algumas cidades do interior.
A Cravo Negro chegou a fazer shows em quase todas as casas do Rio Vermelho, onde até hoje é ponto de encontro da galera alternativa. A divulgação era feita de boca em boca por quem curtia o som e também pelos componentes da banda, que colavam cartazes nas madrugadas.
“Minha música Cenas de uma tela ficou em primeiro lugar por algum tempo na 96 Fm”, relembra Carlinhos, saudoso. Léo Fera, coordenador musical da empresa na época, diz que o que mais se tocava era o pop rock. Bandas como Nirvana, Soundgarden, Faith No More, Paralamas do Sucesso, Capital Inicial e Plebe Rude. “As bandas locais também começaram a fazer sucessos”, afirma. “Daí surgiu a idéia de gravar um disco com as bandas baianas: o Rock 96, uma coletânea”, conclui. A estratégia deixou a 96 isolada, pois as outras rádios só tocavam axé, a rádio então foi vendida para a Igreja Universal.
Com o fim do templo baiano do rock, sobrou para os mais ferrenhos e apaixonados pelo estilo a opção da ‘ponte aérea’ para o Sudeste brasileiro, onde tem axé, mas tem espaço também para a MPB, Samba, Blues e tantos outros. Alternativa encontrada por Pitty, a roqueira que participava da banda independente Inkoma, em Salvador, recebeu um convite do produtor Rafael Ramos para gravar um CD solo e morar no Rio. A partir daí a carreira engrenou.
Nem todos conseguiram seguir a mesma trilha. Segundo Carlinhos, a Cravo Negro caiu na mesmice de tocar para o mesmo público nos mesmos lugares e isso foi desgastando a banda baiana. Por divergência de interesses o final foi trágico e Mano Boca, como agora quer ser chamado, se decepcionou com a música e logo entrou em depressão. Após um ano conturbado, participou de uma banda de axé, mas não aguentou e saiu, “não era a minha”, diz. Foi para o Maranhão, onde nasceu, e por lá ficou durante quase 10 anos, às vezes cantando no restaurante da família. Durante a estada em São Luís fez uma mistura de axé com bumba meu boi e chegou a gravar entrevistas para jornais, canais de TV e rádio locais. Em 2002, Boca voltou para Salvador e entrou na Jamboc, onde tocou no carnaval no trio independente de Ricardo Chaves. Agora a banda toca axé em Pernambuco.
Hoje Carlinhos faz trabalho autoral, já tem em torno de 600 músicas de axé, forró, samba e pop rock, todas registradas. Compõe e está gravando o próprio CD em casa com seus aparelhos de som (mesa digital e computador com bateria eletrônica), quando finalizar o trabalho pretende distribuir mil cópias. Ele acredita que não basta ter talento, “tem muita gente boa em Salvador, desde o jazz até o axé. É preciso ter uma estrutura boa, um produtor”, conclui.
Para João Pinto, produtor de Tatau desde 1997, responsável pela agenda da parte comercial, o empresário precisa ter a certeza de que o músico será um sucesso. Para isso, o artista deve ter uma pré-produção, ou seja, ter uma boa banda e uma música que tenha iminência de dar certo. “Antigamente era mais fácil, hoje o empresário quer o artista pronto. É complicado para o investidor tirar dinheiro do próprio bolso e aplicar em um negócio que ele tem dúvida se vai retornar ou não, porque o investimento é grande“, diz. E é exatamente nesta busca do lucro certo que reside a certeza de que tão cedo não haverá espaço para outros sons. Hoje, a cultura musical baiana está para o axé, como a economia brasileira já esteve para o açúcar, o café e tantas outras monoculturas. Vale destacar, no entanto, que a evolução social e cultural, assim como uma maior democratização da sociedade, só aconteceu quando a economia nacional começou a enxergar novos horizontes e a se arriscar mais. Assim, os restritos grupos que monopolizavam o cenário nacional foram substituídos por empresários mais empreendedores. Agora, é esperar e torcer para que a Bahia que conseguiu migrar da monocultura do açúcar para novas frentes econômicas possa dar um salto também na área musical e assistir novas tendências invadirem o cenário, rádios, produtoras e até carnaval de Salvador.
Diversão à beira-mar

Por Anne Clara Gomes
O luau é uma reunião entre amigos que preferem uma festa mais reservada e tranqüila. Basta um violão, um lugar sossegado, muita disposição, e quem sabe até uma fogueira, para transformar a noite, com um gostinho especial. Para quem quer curtir de um jeito diferente, participar de um luau é uma boa opção. “Me sinto muito melhor. Aqui não tem restrições, nem preconceito. Por ser uma festa entre amigos e que nós mesmos somos “donos”, fazemos o que bem entendemos”, conta Matheus Oliveira, 25.
Mas não somente os participantes da noite ao luar promovem a festa, essa iniciativa já é encontrada até em empresários que investem nesse tipo de negócio. Como é o caso de Mirtz Santos, 38, proprietária da barraca Toca da Índia, no bairro de Itapuã. Ela faz do luau, um grande festejo e fonte de trabalho, misturando compromisso e diversão. “Esse tipo festa aproxima as pessoas de um jeito que não sei explicar. Depois que tive a ideia de fazer um luau, não quis mais parar”, afirma. Apesar desse prazer, ela encontra dificuldades na questão financeira, pois quem frequenta à noite ao luar, levam as bebidas preferidas, e só contam com os serviços dela, quando “beliscam” alguma coisa. “As pessoas que vem aqui, querem mudar a rotina, e encher a cara, não a “pança”, se muito pedem são petiscos para acompanhar a variedade de bebidas que trazem, explica.
Mesmo não obtendo o lucro desejado, Mirtz continua fazendo os luais, afinal ela também se diverte. “Para mim é um prazer. Como não gasto muito, não lucro quase nada, mas não me importo”, garante.
Em outro ponto, no bar do Jailson Souza, 43, em Itaparica, encontra-se também a festa inusitada. Ele fala que como a praia é um local público e as pessoas vão quando querem, curtem a noite com ou sem barraca, não acha um bom investimento, porém não deixa de ganhar uns trocados quando faz. “Meu ganha pão mesmo é durante o dia, não tenho aquela rotina de promover luais todos os dias ou em dias específicos, faço quando dá na telha”, diz.
Ao som da música malandrinha, de Edson Gomes, o estudante e surfista Caio Lucas, 15, em companhia da namorada, Bianca Carvalho, 16, e do seu violão, participam da festa todos os finais de semana, na praia de Itapuã. “Somos da igreja “Ingere Cana”, (risos).
Com o dedilhar ágil e notas românticas da música Amor Azul, composta por Caio, a consonância envolve a namorada e os que estão a sua volta. Para Rodrigo Botelho, 20, o ritual significa a sacralização da vida. “Além de estarmos no embalo de Amor azul, nossos sentidos ampliam nossas reflexões diante da inversão de valores da atualidade”.
O luau não só entorpecem os sentidos. Catharina Vianna, 25, assobia e dá ordem para pausa: “É hora de repensarmos nossas atitudes”. Todos silenciam. Imediatamente Caio para de tocar. Catharina abre o livro de Leonardo Boff: Terapeutas do Deserto. O livro trata da vida de São Francisco de Assis. Ela lê o capítulo que registra o despertar de consciência dele. Os conflitos existenciais que o afligiram, são trazidos ao luau, pela leitura doce e meiga de Catharina.Aproximava-se das 2 horas, alguns corpos embriagados e deitados na areia sob o céu estrelado chamava atenção, a alegria e energia dos presentes no fim da noite. O entusiasmo, a sensação de liberdade e a espera do próximo final de semana, deixava claro o quanto a noite foi inesquecível e que ficará para sempre na memória daqueles garotos.
quinta-feira, 4 de junho de 2009
Cinema, literatura e música na madrugada da cidade
A cidade que respira festas o ano inteiro, dorme cedo. Para ir ao teatro, ao cinema ou a exposições, é preciso sair de casa entre 18 e 22h. Após esse horário, o soteropolitano que não se contenta apenas com os shows de axé e conversas regadas a cerveja e petiscos nos bares da cidade encontra dificuldade para encontrar outras opções de lazer.
Os motivos para isso são os mais variados possíveis. Vão desde a falta de um calendário que preveja opções para madrugada, até a dificuldade de se locomover pela cidade. Enquanto no Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte o transporte público funciona até a madrugada, em Salvador a grande maioria dos ônibus vão para a garagem antes da meia noite.
Ao longo do ano, é possível encontrar eventos como festivais de música, de poesia e de teatro, mas são esporádicos e, às vezes, restritos a um grupo seleto de pessoas. Quando é possível driblar todos estes obstáculos, o custo provocado pela falta de estrutura se torna mais um impeditivo. “Adoro ir aos concertos da Orquestra Sinfônica da Bahia. Mas com a dificuldade de ônibus à noite muitas vezes deixo de ir por falta de dinheiro. O programa fica restrito pra quem pode pagar um táxi, ou tem carro pra se deslocar”, reclama o estudante universitário, Diogo Caribé.
Diante a falta de opções no consumo de cultura e arte, ir ao cinema pode ser uma boa saída, mas são poucos as salas com horários na madrugada. Atualmente, só os grandes shoppings oferecem essas sessões, mas com pouca frequência. No Multiplex, do Shopping Iguatemi, às sextas feiras e vésperas de feriado é possível assistir a sessões que começam às 00:00h. “Acho que esta deveria ser uma prática mais comum. Com o ritmo de trabalho, nem todos têm tempo para ir ao cinema no horário convencional. Acho que seria uma boa oportunidade para as salas, pois todas as vezes que peguei a sessão da meia noite, o cinema estava lotado”, diz o jornalista Nilton Lopes.
Na opinião da atriz Mônica Santana, a redução do número de ônibus nas ruas durante a madrugada e a miopia dos empresários não são os únicos motivos para que as opções culturais sejam realizadas cada vez mais cedo. “Sem dúvida, a falta de segurança é um fator importante. Há cinco ano, alguns teatros, como o Vila Velha e o Teatro do SESI tinham sessões à meia noite. Lembro que as sessões ficavam cheias. Público para isso existe, mas hoje, se a sessão for um pouco mais tarde as pessoas não vão porque têm medo da violência”, declara.
Na contra-mão desta tendência, livrarias apostam em saraus e espetáculos musicais durante a madrugada. É o caso, por exemplo, da Midialouca onde é possível ler livros, comprar cd´s e dvd´s durante todos os dias da semana, finais de semana e feriado até à 1 hora.
Para o funcionário Alexandre Fernandes, o fato de Salvador não possuir uma vida cultural intensa à noite acaba criando boas oportunidades para a loja. “Nós temos uma clientela fiel, que procura um programa mais tranqüilo e intimista”, diz. Segundo ele, a maioria dos clientes é de artistas e músicos, turistas brasileiros e estrangeiros.
Fecha o bar que o buzu vai passar!
Por Alice Coelho
É uma terça-feira de março: um dia de movimento nos bares da orla de Salvador. A cidade turística, com quase 3 milhões de habitantes e com fama de festeira dorme cedo. O que acontece na capital, que recebeu cerca de 3,5 milhões de visitantes em 2008 – número maior que a população local, é que sua vida noturna é curta.
A noite que deveria ser badalada, acaba antes que o cliente queira ir embora. “A maioria dos bares da orla fecha antes da meia noite”, afirma a estudante Priscila Ribeiro.
Acompanhada de mais dois amigos, a estudante já se deparou com situações em que o bar encerrou as atividades antes da vontade dela e de seus colegas irem embora. O que fizeram? Foram frustrados para casa ou decidiram por comer o feijão, o mocotó, a rabada e outros. As opções foram os bares 24 horas, postos de gasolinas e bares de bairro.
Vantagem para os bares 24 horas. Ao passo que os estabelecimentos conv
O gerente de bar Sandro Leite garante que há público para a noite em SalvadorJá Joseval Faustino, gerente de um bar da orla, não consegue ver o problema do transporte coletivo. Segundo ele, os funcionários não encontram empecilhos para voltar para casa. Usam os ônibus da madrugada - o pernoitão ou fazem uma “vaquinha” para ir de táxi.
Há uma forte evidência de que não há preocupação da maioria dos empresários com o transporte seguro dos funcionários na volta para casa. O garçon Joabe Alves dos Santos, por exemplo, trabalha no Rio Vermelho e sai entre 12h e 2h da manhã em direção ao bairro Plataforma usando transporte clandestino.
Essa dificuldade mobilizou a Abrasel (Associação de Bares, Restaurantes e Similares), a procurar pela Secretaria de Transporte Público do município. Um mapeamento foi solicitado pela secretaria à Associação e deve ser finalizado até Junho desse ano. “É a mais clara evidência que há mercado”, pontua o presidente da Abrasel, Luiz Marques. Para ele, a ausência de transporte é o fator limitador dessa demanda. “As pessoas não tem como ir e o colaborador tem dificuldade de voltar”, assinala.
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