sexta-feira, 5 de junho de 2009

Noites Vermelhas


O bairro de Salvador que garante diversão dos alternativos aos conservadores


Por Carolina Câmara


Casas grandes, pouco movimento, ruas largas, esse era o cenário do Rio Vermelho nos anos sessenta. Hoje, com a vida noturna mais diversificada de Salvador, o bairro aglomera em suas praças e ruas, diariamente, centenas de pessoas. Com bares, restaurantes, igrejas, faculdades, teatros e baianas de acarajé, ele oferece aos notívagos uma variedade de gostos, cores e sons.


Desde o século XVI há notícias de habitantes das aldeias Tupinambás no rio Camarogipe, ( camara, flor vermelha, jipe, rio ). Cheio de história como a do náufrago Diogo Álvares, o Caramuru, o bairro é festivo desde 1929, registro da primeira festa popular, 2 de fevereiro, dia de Yemanjá. O início da sua modernização, com o calçamento, correu no mesmo período. Habitado por pescadores, poucos moradores e comerciantes, nos anos cinqüenta, ele foi um local ideal para veraneio. Mais duas décadas, e o famoso Rio Vermelho, foi frenquentado Dorival Caymmi, compositor e cantor, Caetano Velos, o escritor João Ubaldo Ribeiro, os artistas plásticos Carlos Bastos e Carybé, o escultor Mário Cravo Júnior, nos anos setenta. Atualmente é ecleticamente formado por antigos moradores, turistas, comerciantes, empresários, muitos boêmios, formadores de opiniões, artistas e curiosos.


Mesmo com suas praias, o pôr-do-sol, o cheiro de mar constante, é a noite que atrai e aquece a cidade. Varandas das casas transformam-se em pistas de dança, o acarajé da Dinha reúne fãs e curiosos, o teatro Sesi traz seu público, a moderna pirâmide de vidro do Tom do Sabor recebe seus visitantes, para ler, comer e ouvir música, os bares ficam repletos. São mais de 10 restaurantes, quatro pizzarias, 10 bares, rodas de capoeira, som ao vivo nas praças, e muitas opções para dançar indo do reagge do Pinta e Nina ao rock da Boomerangue.


Lugares como a famosa Borracharia, que durante o dia recebe carros e pneus, e a noite vira o undergraound bar dançante todas as sextas e sábados, faz fila de espera na porta. Dentro tem os freqüentadores assíduos, muitos amigos do proprietário, Alberto Lopes, morador do bairro desde que nasceu, fora a presença dos que querem entrar e ver de perto as sucatas, pneus, obras de arte, velas e santos espalhados pelo espaço. Essa mistura cultural, racial, religiosa, a liberdade artística, que caracteriza a noite do Rio Vermelho.Tudo parece possível; comer uma pizza no recente e sofisticado Piolla, gastar R$ 50 reais, sair, andar 30 metros, subir no Pós Tudo para tomar o famoso cérebro de macaco, drink adocicado típico e único do bar, e ter a sorte de ser servido por Seu Sales, que esta há mais de vinte anos da casa, descer, dobrar a esquina e entrar no contido Twist, para dançar até a madrugada ao som da Madona.


A noite normalmente é longa, só sentar na praça para comer um acarajé pode render o encontro com amigos, uma cerveja, a vontade de ouvir os trios de sanfoneiros que andam em volta da Igreja, e assim, esticar. Nem a Lei Seca, recentemente implantada, diminuiu o movimento, o consumo de álcool caiu, os táxis aumentaram, mas o ti ti ti na noite continua agitado.
Além daqueles que gostam da farra à noite, o bairro incorpora muitos trabalhadores, como os guardadores de carro, os garçons dos estabelecimentos, os vendedores ambulantes, as barraquinhas com artesanato nas praças, os distribuidores de fly, divulgando outros eventos, os seguranças nas portas. A fotografia do lugar é de carros e pessoas transitando, cada um com seu ofício, diversão ou trabalho.

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