França, Itália, Japão, Tailândia, Portugal, Espanha... Mesmo quem nunca viajou para fora do Brasil não encontra dificuldades para entrar em contato com a cultura das mais diferentes regiões e países. Com o passar dos anos, a cidade do maior carnaval de rua e da alegria incontestável vai ganhando ares também de região cosmopolita. Principalmente, quando o assunto é gastronomia.
Enquanto Phileas Fogg (personagem de Júlio Verne) precisou de 80 dias para fazer a volta ao mundo e manter contato, mesmo que superficial, com as mais diferentes culturas, qualquer soteropolitano, munido de espírito de aventura e curiosidade, assim como Fogg, é capaz de vivenciar, em um prazo um pouco menor, sensações semelhantes, pelo menos quando o assunto é paladar, visto que são aproximadamente 70 ambientes especializados em comidas típicas de outros países.
Os restaurantes mexicanos e italianos são, geralmente, os mais freqüentados por terem preços razoáveis. O Alfredo di Roma, Ondina, oferece pratos típicos com preços que podem chegar a R$39,90. Da mesma forma, o Sukiyaki, Rio Vermelho, garante um farto almoço executivo por R$19,90 o buffet. Os clientes buscam conhecer de maneira mais específica um pouco da cultura do país que nunca foram ou que pretendem, um dia, conhecer. Sandoval Carvalho, empresário, é frequentador assíduo do Chez Bernard, especializado na comida francesa. “Toda vez que venho aqui, consigo experimentar um pouco mais do país que amo tanto”, diz empresário que já visitou a França três vezes.
Para ajudar na ambientalização o restaurante é muito requintado com vários quadros da França expostos na parede e cadeiras no estilo Luís XV. O Chef belga Laurent Rezette disse que a gratificação do cliente é a maior felicidade para quem trabalha na cozinha. “Eu também invento as receitas na hora, acredite. Daí ofereço o prato de mesa em mesa para ver se os clientes gostam”, contou Rezette, muito entusiasmado.
“Apesar de nunca ter ido a outro país, Salvador me proporciona o bem estar em relação à gastronomia e me permite viajar por muitos lugares sem sair daqui”, disse Marluce Silva, secretária executiva, enquanto tomava uma taça de vinho ao lado do marido.
A cada dia que passa a cidade fica sempre mais cheia de diversificações na gastronomia mundial e além de servirem comidas típicas, ainda colocam os clientes para dançar. “A moda de se freqüentar restaurantes com comidas típicas de outros países é o reflexo da tentativa do indivíduo de se inserir num contexto de diversidade”, afirmou o sociólogo Rafael Portinho. “Aquele que não tem a sensibilidade de experimentar outras culturas acaba se sentindo ‘de fora’ do processo, um ‘café-com-leite’ no jogo das interações sociais”, acrescentou.
Salvador possui restaurantes portugueses, chineses, japoneses, franceses, tailandeses, árabes, asiáticos, italianos e astros-húngaros. O público visita porque gosta, tem vontade de experimentar novos pratos e ter contato com outras culturas. Pagar R$70,00 (preço médio por pessoa dos ambientes mais sofisticados), para estas pessoas, na maioria das vezes é um prazer. Sair da rotina e sentar-se em uma mesa com amigos ou apenas uma companhia, pedir um vinho e logo em seguida solicitar uma lagosta grelhada com molho de aspargos, servida na própria casca e com arroz de legumes, é uma oportunidade que nem todos têm. Em 70 dias, um soteropolitano poderá fazer uma volta ao mundo gastronômico sem sair da cidade.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário