sexta-feira, 5 de junho de 2009

Diversão à beira-mar


Balada na praia é opção de lazer noturno para jovens soteropolitanos



Por Anne Clara Gomes




O luau é uma reunião entre amigos que preferem uma festa mais reservada e tranqüila. Basta um violão, um lugar sossegado, muita disposição, e quem sabe até uma fogueira, para transformar a noite, com um gostinho especial. Para quem quer curtir de um jeito diferente, participar de um luau é uma boa opção. “Me sinto muito melhor. Aqui não tem restrições, nem preconceito. Por ser uma festa entre amigos e que nós mesmos somos “donos”, fazemos o que bem entendemos”, conta Matheus Oliveira, 25.


Mas não somente os participantes da noite ao luar promovem a festa, essa iniciativa já é encontrada até em empresários que investem nesse tipo de negócio. Como é o caso de Mirtz Santos, 38, proprietária da barraca Toca da Índia, no bairro de Itapuã. Ela faz do luau, um grande festejo e fonte de trabalho, misturando compromisso e diversão. “Esse tipo festa aproxima as pessoas de um jeito que não sei explicar. Depois que tive a ideia de fazer um luau, não quis mais parar”, afirma. Apesar desse prazer, ela encontra dificuldades na questão financeira, pois quem frequenta à noite ao luar, levam as bebidas preferidas, e só contam com os serviços dela, quando “beliscam” alguma coisa. “As pessoas que vem aqui, querem mudar a rotina, e encher a cara, não a “pança”, se muito pedem são petiscos para acompanhar a variedade de bebidas que trazem, explica.


Mesmo não obtendo o lucro desejado, Mirtz continua fazendo os luais, afinal ela também se diverte. “Para mim é um prazer. Como não gasto muito, não lucro quase nada, mas não me importo”, garante.


Em outro ponto, no bar do Jailson Souza, 43, em Itaparica, encontra-se também a festa inusitada. Ele fala que como a praia é um local público e as pessoas vão quando querem, curtem a noite com ou sem barraca, não acha um bom investimento, porém não deixa de ganhar uns trocados quando faz. “Meu ganha pão mesmo é durante o dia, não tenho aquela rotina de promover luais todos os dias ou em dias específicos, faço quando dá na telha”, diz.


Ao som da música malandrinha, de Edson Gomes, o estudante e surfista Caio Lucas, 15, em companhia da namorada, Bianca Carvalho, 16, e do seu violão, participam da festa todos os finais de semana, na praia de Itapuã. “Somos da igreja “Ingere Cana”, (risos).


Com o dedilhar ágil e notas românticas da música Amor Azul, composta por Caio, a consonância envolve a namorada e os que estão a sua volta. Para Rodrigo Botelho, 20, o ritual significa a sacralização da vida. “Além de estarmos no embalo de Amor azul, nossos sentidos ampliam nossas reflexões diante da inversão de valores da atualidade”.


O luau não só entorpecem os sentidos. Catharina Vianna, 25, assobia e dá ordem para pausa: “É hora de repensarmos nossas atitudes”. Todos silenciam. Imediatamente Caio para de tocar. Catharina abre o livro de Leonardo Boff: Terapeutas do Deserto. O livro trata da vida de São Francisco de Assis. Ela lê o capítulo que registra o despertar de consciência dele. Os conflitos existenciais que o afligiram, são trazidos ao luau, pela leitura doce e meiga de Catharina.Aproximava-se das 2 horas, alguns corpos embriagados e deitados na areia sob o céu estrelado chamava atenção, a alegria e energia dos presentes no fim da noite. O entusiasmo, a sensação de liberdade e a espera do próximo final de semana, deixava claro o quanto a noite foi inesquecível e que ficará para sempre na memória daqueles garotos.

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