sexta-feira, 5 de junho de 2009

Trabalho e “balada” agitam noites dos ambulantes


O comércio que antes era visto somente como um “bico”, agora, também pode ser fonte de renda familiar


Edna Ferreira

Seja no Museu do Ritmo ou no Parque de Exposições, na Concha Acústica ou no Porto da Barra, onde tem festa, tem ambulante. Eles estão sempre presentes como integrantes de um mercado informal que busca na diversão alheia a forma de sobrevivência.

Sem registro em carteira, Terezinha Maria de Jesus, a ‘Teca do Churrasco’, 43 anos, fatura entre R$ 600 e R$ 1.000 reais mensais, vendendo churrasquinhos nas festas em Salvador. Mãe de oito filhos, Teca é analfabeta e não teve oportunidades no mercado formal. Logo cedo descobriu as vantagens e os sofrimentos de ser uma vendedora ambulante.

“Às vezes trabalho apenas uma hora, às vezes a noite toda. Nunca sei quanto vou ganhar no mês, mas entre ficar sem fazer nada e ganhar algum, é melhor trabalhar”, afirma ela.

Para o estudante Cristiano Bonfim, 24 anos, a barraca de Teca é passagem obrigatória."O churrasquinho é uma delícia, e ela está sempre de bom humor” diz, enquanto saboreia um espetinho.

MERCADO POTENCIAL

Salvador é uma cidade movimentada por ter muitos pontos turísticos, atraindo assim, pessoas de todos os lugares. Segundo a Bahiatursa, a Bahia recebe anualmente cerca 4 milhões de turistas, sendo 800 mil estrangeiros. Tal fato gera o crescimento das atividades consideradas informais. Dezenas de pessoas encontram na comercialização de bebidas e petiscos, a alternativa de complementar o salário.

Os baladeiros são o principal alvo das pessoas que atuam no comércio de rua. Nos finais de semana, os eventos musicais disputam os consumidores com os vendedores que ficam do lado de fora dos shows. O movimento começa cedo. Tem início às cinco da tarde, quando eles chegam para a montagem dos pontos de venda. A variedade de opções é grande e com isso, quem sai ganhando é o cliente, que pode escolher como e quanto vai poder gastar para se divertir.

Esses trabalhadores redescobrem na rua, novas possibilidades de sobrevivência, criando suas próprias regras, sendo ambulante e “empresário” ao mesmo tempo.

Não é raro encontrar entre os vendedores pessoas que tem emprego e carteira assinada como Genilson Brito, o ‘Veinho’. Casado, pai de três filhos, durante o dia é oficce boy e ganha um salário mínimo. Como o dinheiro é pouco, aproveita as festas para ajudar no orçamento. Para ele, a vida de vendedor é incerta, mas não dá para ficar sem ter um ganho extra. “Tem dia que rende muito, dia que rende pouco e dia que não rende nada, mas não pode desanimar”, afirma ele, enquanto arruma o isopor para mais uma noite de jornada.


SOLIDARIEDADE

O espaço por eles dividido é competitivo, mas percebe-se um sentimento de coletividade entre eles. Ao lado da barraca de Teca, tem a do João do pastel, a das bebidas de ‘Veinho’ e a do príncipe maluco da ‘Nita’.

Em todos os eventos eles se encontram. Quem tem carro transporta o material necessário para trabalhar, como mesa, banco, chapa, isopor, etc Quem não tem, se vira com um carrinho de mão, ou leva na cabeça mesmo. O importante é trabalhar.

O ritmo de vida dos ambulantes é cansativo. O lucro, imprevisível. Mas uma coisa é certa: a diversão é garantida. O lazer para eles está intimamente ligado ao trabalho que exercem, pois se aproveitam desses momentos de festa para esquecer o cansaço.

“Não tenho dinheiro para gastar em outro lugar. Aqui tem tudo o que gosto, então, prefiro aproveitar para ganhar um extra, e ainda me divertir”, afirma o “João do pastel”.

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