Circulando pelas ruas da capital baiana, durante a noite, trabalhadores (as) investem na simpatia para agradar clientela e gerar lucros
Uma noite movimentada e o ex-vendedor de eletrodomésticos, Osias Figueiredo tira o que levaria três meses para ganhar no antigo emprego. O principal produto vendido por ele é o cachorro quente, no valor de R$ 2,00. Quem também tem renda média mensal superior a três vezes o salário mínimo é o ex-garçom, Jorge Sousa, que há 20 anos vende guloseimas.
O vendedor ambulante, Osias Figueiredo começou a venda de lanches em um isopor, e hoje após 28 anos, já possui uma mini-van, onde comercializa lanches nos dias de festa em frente a Boate Madrre. Faturando R$ 1.200 numa noite, o ambulante veterano sustenta três filhos. Osias é seu próprio patrão, mas confessa que o trabalho é incerto, “sendo ambulante eu posso me administrar, fazer os meus horários, sem ter que dar satisfação a ninguém, mas é uma atividade inconstante, só garantimos o nosso quando as pessoas têm dinheiro para gastar”, ressalta.
Uma característica do trabalho de Osias é a relação amigável com os freqüentadores e funcionários da boate. Ele revela que o tempo em que está no ramo permitiu-lhe algumas regalias, como, entrada gratuita nas festas e a conquista do direito de não ser importunado pelo “rapa” durante as blitzes. “Eles não me incomodam, por que comercializo meus lanches numa towner, preparada especialmente para isso”, destaca.
Um dos fatores que contribuíram para Osias tornar-se vendedor autônomo foi o desemprego. Segundo as informações da Pesquisa de Emprego e Desemprego da Região Metropolitana de Salvador, a redução da taxa média anual de desemprego passou de 21,7% em 2007 para 20,3%, em 2008. A diminuição de 6,5% resultou na geração de 39 mil ocupações, dentre elas, a de vendedor ambulante.
Para a coordenadora da Pesquisa, Ana Margareth Simões, “Quando se trata de período de expectativas ruins para a economia, a auto-ocupação, principalmente aquelas de caráter mais instável tendem a crescer, pois as oportunidades de encontrar uma ocupação mais formalizada se reduzem”, esclarece a economista. Esse mesmo caminho foi seguido por Jorge Sousa, vendedor ambulante de longas datas. Vinte dos seus 44 anos de idade foram dedicados à venda de balas, chocolates, salgadinhos, dentre outras centenas de variedades que enchem o carrinho.
Jorge sai do Alto da Chapada do Rio Vermelho, as seis da manhã, em direção a porta do Colégio ISBA e permanece no local até às 21h30. Atendendo sempre com um sorriso estampado no rosto, para ele uma boa relação com os clientes é importante para o sucesso do negócio, “faço amizade de acordo com cada cliente, tem gente que não quer ser amigo”, confessa. Assim como Jorge e Osias, outros 14,6 milhões de pessoas desempenham alguma atividade empreendedora, ou seja, cerca de 12,02% da população brasileira adulta, segundo dados do Sebrae.
A edição anual da pesquisa GEM 2008 (Monitoramento Global da Atividade Empreendedora numa tradução livre) - um estudo que compreende a relação entre o empreendedorismo e o desenvolvimento econômico dos países do G-20-, revela que o Brasil está em terceiro lugar com visão empreendedorora.
Conhecido também como porta-voz das festas, os ambulantes, em sua maioria, agradam a clientela pela maneira divertida que atendem. Um caso que exemplifica essa relação é o da publicitária, Ilka Danusa Correia, que procura sempre conversar com esses trabalhadores. “Eu acho que a maioria desses ambulantes tem uma visão empreendedora, eles sabem criar estratégias para melhorar o seu desempenho. Além disso, eles têm conhecimento dos eventos que acontecem na cidade, são os verdadeiros garotos propagandas”, ressalta a publicitária.
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