Por: Valdeck Almeida de Jesus
“Eu me sinto segura, pois sempre ando com Deus no coração” (Cristina Veloso (foto), delegada plantonista da 4ª Delegacia – São Caetano)

Morar ao lado de uma delegacia de polícia gera uma sensação de segurança, que pode acabar na primeira rebelião, tentativa de resgate de presos ou problema similar. A tranquilidade se vai e ficam, em seu lugar, o medo e a tensão.
A Delegacia de São Caetano ocupa um prédio de dois andares. A sala de espera tem cerca de quatro metros por seis, com cadeiras, TV, ar condicionado e computadores. O distrito policial de Periperi tem guarita, garagem para mais de 30 veículos, sala de espera com ar, sala para delegado e de triagem de queixas, tudo contrastando, nas duas unidades, com o espaço reservado às celas. Os grupos de presos se amontoam em saletas de 3m por 4m. Por isso, nem sempre todos vão dormir no mesmo horário: não tem lugar suficiente. Eles se revezam, fazem escala. Enquanto uns dormem, outros ficam de vigília.
Durante o dia não há atividade de ressocialização. O tempo é gasto com bate-papo e as paredes são usadas como tela: palavras soltas, rabiscos incompreensíveis e números que marcam a passagem dos dias se misturam a orações, pensamentos de liberdade e frases de revolta. Este é o cotidiano deles. As roupas ficam penduradas nas grades e em cordas estendidas fora das celas. É a imagem daquilo em que se transforma o homem, resultado da injustiça social que massacra e transforma as pessoas em seres quase inumanos.
De acordo com o Sociólogo Jorge Hilton, 32, é necessário modernizar as instituições e o sistema prisional. Para ele, o controle social em matéria de segurança pública precisa avançar do atual modelo de democracia representativa para a democracia participativa. “O Programa Nacional de Segurança Pública e Cidadania (Pronasci), lançado em 2007 pelo governo federal, deve ser monitorado pela sociedade civil e universidades”, afirma.
PLANTÃO
Apesar de Salvador ser uma cidade muito violenta, à noite o movimento cai nos distritos policiais visitados. As ocorrências mais comuns: queixas de perda de documento, agressões, ameaças, arrombamentos e tentativas de homicídio. Cristina Veloso conta que 70% das reclamações em São Caetano corresponde a agressão ou ameaça. Quando ocorre homicídio, o efetivo de duas viaturas não dá conta do serviço. Nos casos graves como morte, acidente ou perseguição, é necessário “pedir reforço da Polícia Militar, do Comando de Operações Especiais, para deslocarem veículos de outras áreas”, diz a delegada.
“Eu me sinto segura, pois sempre ando com Deus no coração” (Cristina Veloso (foto), delegada plantonista da 4ª Delegacia – São Caetano)
Morar ao lado de uma delegacia de polícia gera uma sensação de segurança, que pode acabar na primeira rebelião, tentativa de resgate de presos ou problema similar. A tranquilidade se vai e ficam, em seu lugar, o medo e a tensão.
A Delegacia de São Caetano ocupa um prédio de dois andares. A sala de espera tem cerca de quatro metros por seis, com cadeiras, TV, ar condicionado e computadores. O distrito policial de Periperi tem guarita, garagem para mais de 30 veículos, sala de espera com ar, sala para delegado e de triagem de queixas, tudo contrastando, nas duas unidades, com o espaço reservado às celas. Os grupos de presos se amontoam em saletas de 3m por 4m. Por isso, nem sempre todos vão dormir no mesmo horário: não tem lugar suficiente. Eles se revezam, fazem escala. Enquanto uns dormem, outros ficam de vigília.
Durante o dia não há atividade de ressocialização. O tempo é gasto com bate-papo e as paredes são usadas como tela: palavras soltas, rabiscos incompreensíveis e números que marcam a passagem dos dias se misturam a orações, pensamentos de liberdade e frases de revolta. Este é o cotidiano deles. As roupas ficam penduradas nas grades e em cordas estendidas fora das celas. É a imagem daquilo em que se transforma o homem, resultado da injustiça social que massacra e transforma as pessoas em seres quase inumanos.
De acordo com o Sociólogo Jorge Hilton, 32, é necessário modernizar as instituições e o sistema prisional. Para ele, o controle social em matéria de segurança pública precisa avançar do atual modelo de democracia representativa para a democracia participativa. “O Programa Nacional de Segurança Pública e Cidadania (Pronasci), lançado em 2007 pelo governo federal, deve ser monitorado pela sociedade civil e universidades”, afirma.
PLANTÃO
Apesar de Salvador ser uma cidade muito violenta, à noite o movimento cai nos distritos policiais visitados. As ocorrências mais comuns: queixas de perda de documento, agressões, ameaças, arrombamentos e tentativas de homicídio. Cristina Veloso conta que 70% das reclamações em São Caetano corresponde a agressão ou ameaça. Quando ocorre homicídio, o efetivo de duas viaturas não dá conta do serviço. Nos casos graves como morte, acidente ou perseguição, é necessário “pedir reforço da Polícia Militar, do Comando de Operações Especiais, para deslocarem veículos de outras áreas”, diz a delegada.
Outro problema é a falta de cursos de reciclagem e pós-graduações. “Os poucos cursos oferecidos são pagos pelos próprios servidores”, afirma Cristina Veloso. Ela portava colete à prova de bala e revólver quando chefiava de unidades do interior, “mas quando vim trabalhar em Salvador não me deram, sob a alegação de que aqui não precisava”, pontua.
Marival Oliveira (foto), 47 anos, coordenador da delegacia de Periperi, trabalha a 22 anos na polícia e
Insegurança
O delegado Giovani Paranhos dos Santos, 52 anos, plantonista da 5ª DP (Periperi), dez anos de polícia, trabalha 24 horas por 72 de folga. Mora em Itapuã e dirige o próprio carro, “sempre de vidros fechados”, revela. Ele já foi assaltado, mas não reagiu. Sobre a segurança em Salvador, orienta “não atender celular em qualquer lugar, não carregar dinheiro em grandes quantias, andar sempre com os vidros do carro levantados”.
“Causos”
Um caso pitoresco que a delegada se recorda aconteceu numa cidade do interior. Ela apurava o furto de três vacas. As pistas indicavam que os animais tinham passado por um vilarejo e seguido em direção à fazenda de uma pessoa importante da região. Localizado, o proprietário da fazenda alegou não ter animal sem documentação e sem o “ferro”, marca com as inicias do dono. O verdadeiro dono das vacas era cego e não tinha “ferrado” seus animais, mas relatou que as vacas atendiam ao chamado dele, pelos nomes de Pintada, Bolinha e Manchada. Quando o queixoso chegou ao curral e chamou pelos nomes, as vacas saíram do rebanho e vieram para próximo do seu verdadeiro dono. O crime foi desvendado e os suspeitos foram ouvidos e autuados.
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(*) VALDECK ALMEIDA DE JESUS nasceu em Jequié, Bahia, em 1966. Acadêmico de Jornalismo, trabalha, atualmente, como funcionário público, editor de livros e palestrante. Publicou os livros Memorial do Inferno: a saga da família Almeida no Jardim do Éden, Feitiço contra o feiticeiro, Valdeck é Prosa e Vanise é Poesia, 30 Anos de Poesia, Heartache Poems, dentre outros. Participa de mais de 30 antologias. É organizador e patrocinador do Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus de Poesia, desde 2005. Expõe seus textos no site Galinha Pulando.
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