Ainda são poucas as opções de diversão no final da noite
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Por Ana Flávia Souza
A cidade que respira festas o ano inteiro, dorme cedo. Para ir ao teatro, ao cinema ou a exposições, é preciso sair de casa entre 18 e 22h. Após esse horário, o soteropolitano que não se contenta apenas com os shows de axé e conversas regadas a cerveja e petiscos nos bares da cidade encontra dificuldade para encontrar outras opções de lazer.
Os motivos para isso são os mais variados possíveis. Vão desde a falta de um calendário que preveja opções para madrugada, até a dificuldade de se locomover pela cidade. Enquanto no Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte o transporte público funciona até a madrugada, em Salvador a grande maioria dos ônibus vão para a garagem antes da meia noite.
Ao longo do ano, é possível encontrar eventos como festivais de música, de poesia e de teatro, mas são esporádicos e, às vezes, restritos a um grupo seleto de pessoas. Quando é possível driblar todos estes obstáculos, o custo provocado pela falta de estrutura se torna mais um impeditivo. “Adoro ir aos concertos da Orquestra Sinfônica da Bahia. Mas com a dificuldade de ônibus à noite muitas vezes deixo de ir por falta de dinheiro. O programa fica restrito pra quem pode pagar um táxi, ou tem carro pra se deslocar”, reclama o estudante universitário, Diogo Caribé.
Diante a falta de opções no consumo de cultura e arte, ir ao cinema pode ser uma boa saída, mas são poucos as salas com horários na madrugada. Atualmente, só os grandes shoppings oferecem essas sessões, mas com pouca frequência. No Multiplex, do Shopping Iguatemi, às sextas feiras e vésperas de feriado é possível assistir a sessões que começam às 00:00h. “Acho que esta deveria ser uma prática mais comum. Com o ritmo de trabalho, nem todos têm tempo para ir ao cinema no horário convencional. Acho que seria uma boa oportunidade para as salas, pois todas as vezes que peguei a sessão da meia noite, o cinema estava lotado”, diz o jornalista Nilton Lopes.
Na opinião da atriz Mônica Santana, a redução do número de ônibus nas ruas durante a madrugada e a miopia dos empresários não são os únicos motivos para que as opções culturais sejam realizadas cada vez mais cedo. “Sem dúvida, a falta de segurança é um fator importante. Há cinco ano, alguns teatros, como o Vila Velha e o Teatro do SESI tinham sessões à meia noite. Lembro que as sessões ficavam cheias. Público para isso existe, mas hoje, se a sessão for um pouco mais tarde as pessoas não vão porque têm medo da violência”, declara.
Na contra-mão desta tendência, livrarias apostam em saraus e espetáculos musicais durante a madrugada. É o caso, por exemplo, da Midialouca onde é possível ler livros, comprar cd´s e dvd´s durante todos os dias da semana, finais de semana e feriado até à 1 hora.
Para o funcionário Alexandre Fernandes, o fato de Salvador não possuir uma vida cultural intensa à noite acaba criando boas oportunidades para a loja. “Nós temos uma clientela fiel, que procura um programa mais tranqüilo e intimista”, diz. Segundo ele, a maioria dos clientes é de artistas e músicos, turistas brasileiros e estrangeiros.
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