O Vale das Pedrinhas, “primo pobre” do badalado Rio Vermelho, é exemplo de como ambulantes podem fazer a noite boa, barata e perto de casa
Danielí Nunes
Em Salvador, noite é sinônimo de rua e muitas festas. Alguns bairros transpiram esse clima boêmio como é o caso do Rio Vermelho, ícone da noite classe-média soteropolitana. Muito perto dali, pessoas curtem sem precisar gastar muito nem sair de perto da suas residências.
O pé sujo do Vale das Pedrinhas é composto por trabalhadores que sustentam suas famílias vendendo alimentos e bebidas na única praça do bairro, situada no terminal de ônibus. Apesar de não ser nenhuma Cult, a periferia tem seus atrativos.
Em suas barracas improvisadas ou carrinhos esquematizados esses vendedores se articulam para ganhar o pão de cada dia. O melhor é que eles também são moradores do bairro e por conhecer a todos, acabam criando a sua freguesia noturna.
Uil é dono da barraca de bebidas, conta que a musica sempre trás uma boa clientela e suas bebidas exóticas fazem sucesso, capeta, nevada, coquetéis, picão, rabo de arraia entre tantas outras, então ele improvisa com duas caixas de som pra chamar a atenção da galera.
Todas as barracas são simples, mas isso não atrapalha na venda de nenhum desses ambulantes. George de Souza, 26 anos, juntamente com seu irmão Valmir, 29 anos, são proprietários de duas barracas de salgados, uma delas fica na escadaria que dá acesso a bairros conjuntos e outra em frente a barzinho que fica no terminal.
Mesmo tendo estrutura simples com cobertura de lona e botijão de gás para fritar as coxinhas de frango, os irmãos vendem mais de 200 peças na semana e chegam a faturar mais de dois salários mínimos garantindo o sustento da família.
Jair dos Santos é dono do carrinho de churus e conta “vendo mais quando no fim do dia então nem fico até tarde vendendo”. A maioria dos consumidores desse alimento são as crianças, e por esse motivo ele começa a vender às 17hs, são mais de 30 churus vendidos a R$0,70 de segunda a sábado, gerando um lucro semanal de R$150 por semana.
As baianas de acarajé também aparecem em todos os cantos da cidade, a exemplo Dona Cida que arranjou uma lata de tinta um sombreiro e um pequeno tabuleiro para vender seu acarajé, sua renda chega ser mais de R$200 por mês, ainda sim por motivo da idade que não lhe permite trabalhar todas as noites.
ESTATÍSTICAS
De acordo com informações da Central Única dos Trabalhadores da Bahia (CUT) a desaceleração do mercado de trabalho não atingiu o rendimento médio do trabalhador e nem o conduziu para informalidade que teve redução de 1,3 pontos percentuais no primeiro trimestre de 2009. No entanto é necessário deixar evidente que o rendimento continua elevado em ambas às esferas do comercio baiano.
O administrador Anderson Ferreira, trouxe uma opinião mais recente e diz “O mercado informal tende crescer cada vez mais já que crise econômica nem mesmo deixou livre aqueles que trabalhavam de carteira assinada, tudo indica que o centro de Salvador irá ficar mais cheio de vendedores ambulantes...”.
Segundo o técnico da Coordenação de Trabalho e Renda do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), Roberto Gonzalez "Apesar da redução do crescimento do emprego, não está havendo troca do trabalho formal pelo informal, o que é um bom sinal, já que o trabalhador mantém o patamar de direitos. O problema é que o Brasil vinha num processo de crescimento de formalização e que está sendo interrompido, mas pelo menos não estamos voltando a uma era de informalidade, o que seria mais difícil de se reverter e demandaria mais longo prazo", afirmou.
Nenhum comentário:
Postar um comentário