sexta-feira, 5 de junho de 2009

Quarentões revivem adolescência na noite baiana




Hoje é cada vez mais comum a presença de pessoas com mais de 40 anos em ambientes que antes eram restritos aos jovens.

Por Carla Cezar



Lápis de olho, blush, batom, uma roupa transada e, claro, um belo salto alto, pronta para sair. Espera! Faltam os acessórios: brincos, pulseiras e colar. Para ele, uma calça Jeans e uma blusa esporte fino. Agora sim, prontos para a balada. Esse é o ritual do casal Miguel Santos, 45, e Marlene Machado, 39, ambos divorciados. Ta achando estranho? Pois é, muitos coroas descobriram que a maturidade é para ser vivida, e estão invadindo a “praia” da moçada e tornado-se os mais novos ‘baladeiros’ do momento, freqüentando barzinhos, casas de show e restaurantes com ambiente musical.


É cada vez mais comum encontrar nas noites baianas pessoas de 45 a 60 anos, em busca de diversão. Os locais mais procurados são os restaurantes, afirmam Valdomiro Santos, 52, e sua esposa, Maria do Carmo, 46, que saem uma vez por semana para jantar e dançar. Valdomiro conta que a dança salvou o casamento. “Meu casamento estava muito desgastado e na tentativa de salvar a relação de 23 anos, eu e minha mulher começamos a fazer aula de dança de salão, desde então saímos sempre com os amigos para dançar”. O local preferido do casal é o restaurante Santíssima Bahia, “porque é um ambiente agradável e familiar. Além de ter espaço para dançar, a música e a comida são de boa qualidade”, afirma Maria do Carmo.
Já a professora Rose Cezar, 46, e suas amigas Cristiane Bonfim, 49, e Judite Santos, 54, todas divorciadas, curtem mais barzinhos, casas de shows e festas populares. Rose, a mais festeira do grupo, conta que adora dançar e já é freqüentadora assídua do Cantarerê e do restaurante Grande Sertão, onde costuma ir para dançar forró e também uma boa seresta. Para elas não existe dia ruim, com roupas valorizando o corpo e uma bela maquiagem, as amigas apostam na dança para se divertir.


A disposição dessas mulheres é de causar inveja a muitos adolescentes. Cristiane conta que apesar delas preferirem um ambiente mais tranqüilo com música para dançar a dois não dispensam a agitação de uma grande festa como o Festival de Verão. Este ano, elas curtiram os quatro dias no camarote. Entre risos e descontração, Judite lembra que foi paquerada por um rapaz que tem a idade de seu filho. “No intervalo das bandas, eu fiquei guardando o lugar das meninas que foram comprar uma bebida, nesse momento um moreno lindo se aproximou e perguntou se podia me conhecer, fiquei super nervosa e comecei a rir. Adorei aquela situação, me senti jovem outra vez” (risos).


Apesar da capital baiana ser conhecida como a terra do Axé e do Pagode, ritmos mais tradicionais estão conquistando o público soteropolitano, principalmente sons como Salsa, Country, Forró, Bolero e muito mais. De acordo com o professor de educação física, Rodrigo Serpa, há um aumento expressivo desses ‘jovens a maioridade’ à procura de academia, principalmente, para se entregar ás aulas de dança de salão. “A maioria dos meus alunos tem entre 45 e 50 anos e são os mais animados, eles utilizam as aulas para se livrar do estresse e saem sempre para dançar. O intuito da grande procura é exatamente para não fazer feio na noite baiana”. E o melhor desta nova moda é que além da diversão os ‘novos bailarinos’ estão também dando um adeus definitivo para sedentarismo.



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