quinta-feira, 25 de junho de 2009

Deixa o dia raiar

Repórter faz roteiro gay e constata: 5h da manhã de sábado é apenas a “comeceira”
Por José Ricardo Oliveira

Diversão constante é o que se encontra na noite gay de Salvador. Gente de todo tipo e diferentes classes econômicas circulam pelos “points” LGBT’s (lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, travestis e transgêneros) da soterópolis. Dezenas de estabelecimentos abrigam pessoas com um perfil muito próximo, que buscam diversão. Toda essa animação já ganhou diversos títulos, hoje, a noite é eclética.
Diante de tantas opções, resolvi visitar os lugares mais conhecidos, badalados e divertidos de Salvador. Encontrei programas para bolsos e gostos diferentes. Aconselhado por meu amigo Carlos Eduardo, 25, cheguei pouco depois das 16h à Praia dos Artistas, no bairro de Boca do Rio. O Sol estava encoberto por nuvens escuras e ameaçava chover, mas mesmo assim estava animado. Pessoas dançavam ao som de DJ’s em barracas como Bahamas e República, as mais conhecidas. Edílson*, 38, consultor de empresas, freqüentador da praia, me aconselhou voltar num domingo, pois, nesse dia à tarde, a praia está lotada e, além dos DJ’s, tem shows dos “meninos” contratados pelas barracas. Esses meninos fazem apresentações de dança, travestidos, dublando musicas de cantoras nacionais e internacionais. Saindo da Praia dos Artistas me joguei para o centro da cidade, próximo destino: uma sauna. Levei a tiracolo meu amigo Carlos Eduardo. Já no centro, Carlos me apresentou opções de saunas e vários endereços. Após pensar um pouco, sugeriu que fôssemos à Termas Olympus, discreta, numa rua residencial próximo ao bairro 2 de Julho. Aparentemente uma residência comum, se desdobra em cabines privadas e coletivas, salas de tv e leitura. O clima “quente” é propício para quem quer começar bem a noite. Não demoramos muito lá, me despedi de Carlos e caminhei até o Campo Grande. Ainda era cedo, pouco mais que 19h. O Beco dos Artistas começava a “bombar”. Entrei no Camarim, um bar dentro do Beco. O Camarin também tem boate, atendimento com garçons já conhecidos do público, telão com shows e vídeos musicais, bebida gelada e grande opção de tira-gostos. Mais cinco bares compõem o “casting” do Beco. O único problema é a limpeza do local. Apesar do excelente estado dos bares, a porta do Beco, nessa noite, servia como depósito de lixo.
O público é diversificado mas de maioria jovem. Os preços, em média, cabem em todos os bolsos – a cerveja em garrafa custa R$3,00. O transporte também é fácil, tanto para chegada quanto para saída, seja de ônibus ou de táxi. Para quem vem de carro, um estacionamento rotativo na rua principal garante a segurança. Depois de dançar na boate do Camarim, dei uma escapada para a Barra. Tradicional pelas praias e o Farol como postais diurnos da cidade, esse bairro abraça também alguns dos mais qualificados pontos de diversão LGBT’s. Entre eles se destaca a OFF, boate que há cerca de um ano passou por reformas. Essa mudança na estrutura do local, que conta com duas pistas de dança e bares, atraiu ainda mais o público gay da cidade e de fora dela. Apesar de ser uma das mais caras – a entrada custa R$ 30,00 - a OFF é bastante comentada por não ser um meio exclusivamente gay. Na saída da OFF, às 3h da manhã, quando já me preparava para encerrar o meu roteiro, encontro meu amigo Carlos acompanhado de alguns amigos. Ele me convidou para tomar a “saideira” em um bar ali mesmo, no Beco da OFF. Conversamos até às 5h da manhã. Quando nos despedíamos, Carlos saiu me corrigiu dizendo “Saideira não, a ‘comeceira’. A noite Gay de Salvador só acaba na manhã da segunda feira”.