quarta-feira, 10 de junho de 2009

Lei Seca engatinha para o primeiro ano.


Os primeiros passos foram positivos, como a redução de acidentes e maior disciplina dos motoristas.Quase um ano depois a fiscalização afrouxa e condutores relaxam.





Por Rachel Barretto


A Lei não completou um ano e já está caducando. Apesar de conquistas, como reduzir a mais da metade o número de acidentes de trânsito no primeiro mês de vigência,hoje,assim como muitos idosos,já não é respeitada.Os bafômetros, forte aliados no combate aos abusos etílicos foram aposentados ou esquecidos em prateleiras. E até mesmo o respeito que impunha nos primeiros momentos, para boa parte dos motoristas já faz parte da história.
Efetivada em Junho de 2008 a lei seca que proíbe o consumo da quantidade de bebida alcoólica superior a 0,1 mg de álcool por litro de ar expelido no exame do bafômetro por condutores de veículos teve como uma de suas primeiras vítimas na cidade o estudante Alexandre Siqueira,23 anos.Ao sair de uma festa na Pituba, foi surpreendido com a apreensão da carteira de habilitação, por dirigir alcoolizado alguns dias depois da lei entrar em vigor.
Passado um ano da implementação, a situação é bem diferente. O próprio Alexandre conta que a lei foi só um alarde inicial “Eu digo isso porque nesse ano eu já saí de festas à noite e não tenho visto blitz nas ruas. É mais uma prova que aqui tudo acabou em pizza” conclui Alexandre.
Já o comerciante Jaime Teixeira,acredita que o problema esteja na falta de campanhas de conscientização “Acho que o país podia aproveitar o investimento caro numa lei que tinha tudo para dar certo,e criar campanhas que conscientizem o motorista que sua própria vida está em risco com o consumo excessivo de álcool” conclui Teixeira.
Um balanço divulgado pela Transalvador mostra que o número de acidentes com vítimas no trânsito, no primeiro mês de vigência da lei, caiu de 1100 para 600 ocorrências. Esse ano o número já voltou a subir para 800 ocorrências. “Se isso continuar todo o mérito alcançado no início será jogado fora” diz o especialista em trânsito da Polícia Militar, capitão André Pereira Borges. Uma perda significativa, não apenas em relação aos acidentes que estão voltando a acontecer mais também em números. Afinal,deixar que a lei esvasie, simplesmente equivale a jogar os R$ 15 milhões investidos na lei e na estrutura para que pudesse ser cumprida na lata do lixo.
Nos hospitais também houve mudanças por causa da lei.Logo depois de implantada os acidentes reduziram 60%.O Hospital Geral do Estado, na capital baiana recebeu 62% menos de acidentados no trânsito.Hoje, o número de acidentes continua reduzido em 29%, mas este número é metade do registrado no mesmo período do ano passado. Em 2003 a jovem Paula Oliveira, na época com 20 anos,ficou com sequelas de uma acidente de moto que aconteceu quando ela e o namorado saiam de uma festa “Ele estava embriagado e perdeu o controle da moto, na queda ele morreu na hora e minha sobrinha teve um traumatismo craniano e uma lesão na coluna. Depois do acidente ela teve que aprender tudo de novo, a falar e andar. Até hoje, ela ainda está nesse processo de reabilitação, e melhorando cada dia um pouquinho” conta a tia de Paula, Vera Lúcia.
Esquecer a lei e permitir que as pessoas voltem a dirigir embreagadas é simplesmente fechar os olhos para casos como o de Paula Oliveira e voltar a conviver com números cada vez maiores de acidentes provocados pelo consumo irresponsável de álcool. O especialista em trânsito da Polícia Militar, capitão André Pereira conclui afirmando que para a lei seca ser eficiente é necessário mais fiscalização “Eu sinto falta de campanhas educativas. Ainda que não tenham tanto impacto como as ações diretas, a exemplo de blitz, elas são necessárias para ajudar a criar uma cultura contrária a combinação bebidas e direção. “Só com um conjunto de medidas é que realmente vai haver uma redução nas mortes de trânsito causadas por alcoolizados.”




“Um dia estava voltando de uma confraternização do trabalho, quando uma blitz e fiquei com medo de parar, então pensei rápido e não parei na blitz,os guardas vieram atrás de mim até que eu peguei um atalho e parei o carro uma rua deserta e fui embora. No dia seguinte me ligaram questionando o fato de ter fugido da blitz, e eu disse “olha meu carro ontem foi roubado.”
Ednaldo Gomes, 42 anos.



“Sempre que saiu com um grupo de amigos,nós elegemos alguém para voltar dirigindo. As vezes a pessoa aceita a indicação meio de contra-gosto mas sempre fazemos isso, não só pela lei seca mas pra garantir que todos cheguem bem, já que além da bebida o sono também é um fator de risco no trânsito”
Paulo Mathias,48 anos.

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