Bolas de cristal, bastões com fogo, cones e bolinhas fluorescentes. Sejam nas ruas ou em eventos fechados, as apresentações dos malabares prendem a atenção das pessoas que estão ao redor. Adultos e crianças se rendem à beleza plástica do malabarismo, mantendo os olhos vidrados nas manobras praticadas por esses artistas.
“É lindo de se ver, sempre meus filhos para assistirem”, conta Sandra Prieto, 38, freqüentadora do Largo de Santana, no Rio Vermelho, enquanto aprecia um aperitivo próximo ao Acarajé da Dinha.
Além da beleza do espetáculo, não são raras as vezes que os artistas de rua representam também lucro para o comércio local. “Tem clientes que voltam ao meu estabelecimento perguntando pelas apresentações dos malabares, que acabam agregando valor ao meu produto de forma gratuita”, destaca Juedi Almeida, proprietário de uma temakeria no Rio Vermelho.
Muito comum em circos, os malabares, aos poucos, vão conquistando novos espaços como praças públicas, parques, largos, bares, becos eventos e festas. Além do amor à arte e a vontade de disseminar o malabarismo, esses artistas se apresentam para sustento próprio ou na tentativa de reforçar o orçamento.
Para Laili Flórez, 23, malabarista e palhaça, em Salvador a grande porta de popularização desta arte foi a explosão das raves - festa de música eletrônica, de longa duração, normalmente acima de 12 horas, onde DJs e artistas plásticos, visuais e performáticos, apresentam seus trabalhos, interagindo com o público.
Em Salvador, os espaços públicos mais freqüentados por malabares são as praças Dois de Julho e
Piedade, os parques da Cidade e de Pituaçu, os largos de Santana e da Mariquita. “Esses são bons pontos da cidade, com grande circulação de gente e espaço adequado para nossas apresentações”, conta Laili.
Nesses ambientes, forma-se uma “roda” de pessoas em volta dos malabares, e após o término das apresentações, é muito comum que esses artistas passem um chapéu para receber dinheiro dos espectadores. Dery Lima, 28, malabarista e palhaço, comenta que todos gostam de assistir, mas nem sempre contribuem com dinheiro. “Sempre interagimos com o público durante nossos espetáculos, fazemos com que as pessoas participem dos números e assim tenham vontade de colaborar financeiramente”, diz.
Segundo ele, as apresentações de rua não rendem muito dinheiro. “Nos apresentamos nas ruas não pelo dinheiro e sim pelo prazer de levar a arte para pessoas que não estão acostumadas a apreciá-la no dia a dia. Nossa intenção é que elas possam experimentar coisas novas”, afirma. Por outro lado, Laili diz que os malabaristas são bem pagos quando contratados para eventos particulares. “Em média ganhamos R$ 200,00 por 4 horas de trabalho”.
Com a valorização desta arte, os malabaristas além dos tradicionais casamentos, festas de aniversário, formaturas já começam a conquistar espaços importantes até mesmo em blocos e camarotes no carnaval. “O malabarismo traz alegria e diversão para qualquer lugar, além de entreter as pessoas de qualquer idade”, destaca o dono de um camarote do carnaval de Salvador, Nei Ávila, 44 anos.
Mesmo com as novas conquistas, Mabi considera dificílimo viver de malabarismo em Salvador. Há épocas do ano que a procura por malabaristas é grande, como no verão, em especial no Carnaval. Mas, há épocas em que a demanda por trabalho é pouquíssima. “O dinheiro que ganho com o malabarismo é o complemento da minha renda, não posso contar com ele”, diz.
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
segunda-feira, 13 de julho de 2009
EXTRA NIGHT - BRASIL
Prêmio de Lula orgulha o país, mas imprensa esconde
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu ontem à noite, em Paris, o prêmio Félix Houphouët-Boigny concedido pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura).
Presidido por Henry Kissinger, ex-secretário de Estado dos Estados Unidos, o júri premiou Lula “por sua atuação na promoção da paz e da igualdade de direitos”.
Não é um premiozinho qualquer. Entre as 23 personalidades mundiais que receberam o prêmio até hoje _ anteriormente nenhum deles brasileiro _ , estão Nelson Mandela, ex-presidente da África do Sul, Yitzhak Rabin, ex-premiê israelense, Yasser Arafat, ex-presidente da Autoridade Nacional Palestina, e Jimmy Carter, ex-presidente dos Estados Unidos.
Secretário-executivo do prêmio, Alioune Traoré lembrou durante a cerimonia na sede da Unesco que um terço dos vencedores anteriores ganhou depois o Prêmio Nobel da Paz.
Pode-se imaginar no Brasil o trauma que isto causaria a certos setores políticos e da mídia caso o mesmo aconteça com Lula.
Thaoré disse a Lula que, ao receber este prêmio, “o senhor assume novas responsabilidades na história”.
Mas nada disso foi capaz de comover os editores dos dois jornalões paulistas, Folha e Estadão, que simplesmente ignoraram o fato em suas primeiras páginas. Dos três grandes jornais nacionais, apenas O Globo destacou a entrega do prêmio no alto da capa.
Para o Estadão, mais importante do que o prêmio recebido por Lula foi a manifestão de dois ativistas do Greenpeace que exibiram faixas conclamando Lula a salvar a Amazônia e o clima. “Ambientalistas protestam durante premiação de Lula”, foi o título da página A7 do Estadão.
O protesto do Greenpeace foi também o tema das únicas fotografias publicadas pela Folha e pelo Estadão. No final do texto, o Estadão registrou que Lula pediu desculpas aos jovens ativistas, retirados com truculência pela segurança, e “reverteu o constragimento a seu favor, sendo ovacionado pelo público que lotava o auditório”.
“O alerta destes jovens vale para todos nós, porque a Amazônia tem que ser realmente preservada”, afirmou Lula em seu discurso, ao longo do qual foi aplaudido três vezes quando pediu o fim do embargo a Cuba e a criação do Estado palestino, e condenou o golpe em Honduras.“Sinto-me honrado de partilhar desta distinção. Recebo esse prêmio em nome das conquistas recentes do povo brasileiro”, afirmou Lula para os convidados das Nações Unidas.
A honraria inédita concedida a um presidente brasileiro, motivo de orgulho para o país, também não mereceu constar da escalada de manchetes do Jornal Nacional. A notícia da entrega do prêmio no principal telejornal noturno saiu ensanduichada entre declarações de Lula sobre a crise no Senado e o protesto do Greenpeace.
É verdade que ontem foi o dia do grande show promovido nos funerais de Michael Jackson, mas também ganhou destaque na escalada e no noticiário a comemoração pelos quinze anos do Plano Real (tema tratado neste Balaio na semana passada) promovida no plenário do Senado, em que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso aproveitou para atacar Lula.
Diante da manifesta má-vontade demonstrada pela imprensa neste episódio da cobertura da entrega do Prêmio da Unesco, dá para entender porque o governo Lula procura formas alternativas para se comunicar com a população fora da grande mídia.
Muitas vezes, quando trabalhava no governo, e mesmo depois que saí, discordei dele nas críticas que fazia à atuação da imprensa, a ponto de dizer recentemente que não lia mais jornais porque lhe davam azia.
Exageros à parte, mesmo que esta atitude beligerante lhe cause mais prejuízos do que dividendos, na minha modesta opinião, o fato é que Lula não deixa de ter razão quando se queixa de uma tendência da nossa mídia de inverter a máxima de Rubens Ricupero, aquele que deu uma banana para os escrúpulos.
“O que é bom a gente esconde, o que é ruim a gente divulga”, parece ser mesmo a postura de boa parte dos editores da nossa imprensa com um estranho gosto pelo noticiário negativo, priorizando as desgraças e minimizando as coisas boas que também acontecem no país.
Fonte:O Globo - Online
http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2009/07/08/premio-de-lula-orgulha-pais-mas-imprensa-esconde-203121.asp
Prêmio de Lula orgulha o país, mas imprensa esconde
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu ontem à noite, em Paris, o prêmio Félix Houphouët-Boigny concedido pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura).
Presidido por Henry Kissinger, ex-secretário de Estado dos Estados Unidos, o júri premiou Lula “por sua atuação na promoção da paz e da igualdade de direitos”.
Não é um premiozinho qualquer. Entre as 23 personalidades mundiais que receberam o prêmio até hoje _ anteriormente nenhum deles brasileiro _ , estão Nelson Mandela, ex-presidente da África do Sul, Yitzhak Rabin, ex-premiê israelense, Yasser Arafat, ex-presidente da Autoridade Nacional Palestina, e Jimmy Carter, ex-presidente dos Estados Unidos.
Secretário-executivo do prêmio, Alioune Traoré lembrou durante a cerimonia na sede da Unesco que um terço dos vencedores anteriores ganhou depois o Prêmio Nobel da Paz.
Pode-se imaginar no Brasil o trauma que isto causaria a certos setores políticos e da mídia caso o mesmo aconteça com Lula.
Thaoré disse a Lula que, ao receber este prêmio, “o senhor assume novas responsabilidades na história”.
Mas nada disso foi capaz de comover os editores dos dois jornalões paulistas, Folha e Estadão, que simplesmente ignoraram o fato em suas primeiras páginas. Dos três grandes jornais nacionais, apenas O Globo destacou a entrega do prêmio no alto da capa.
Para o Estadão, mais importante do que o prêmio recebido por Lula foi a manifestão de dois ativistas do Greenpeace que exibiram faixas conclamando Lula a salvar a Amazônia e o clima. “Ambientalistas protestam durante premiação de Lula”, foi o título da página A7 do Estadão.
O protesto do Greenpeace foi também o tema das únicas fotografias publicadas pela Folha e pelo Estadão. No final do texto, o Estadão registrou que Lula pediu desculpas aos jovens ativistas, retirados com truculência pela segurança, e “reverteu o constragimento a seu favor, sendo ovacionado pelo público que lotava o auditório”.
“O alerta destes jovens vale para todos nós, porque a Amazônia tem que ser realmente preservada”, afirmou Lula em seu discurso, ao longo do qual foi aplaudido três vezes quando pediu o fim do embargo a Cuba e a criação do Estado palestino, e condenou o golpe em Honduras.“Sinto-me honrado de partilhar desta distinção. Recebo esse prêmio em nome das conquistas recentes do povo brasileiro”, afirmou Lula para os convidados das Nações Unidas.
A honraria inédita concedida a um presidente brasileiro, motivo de orgulho para o país, também não mereceu constar da escalada de manchetes do Jornal Nacional. A notícia da entrega do prêmio no principal telejornal noturno saiu ensanduichada entre declarações de Lula sobre a crise no Senado e o protesto do Greenpeace.
É verdade que ontem foi o dia do grande show promovido nos funerais de Michael Jackson, mas também ganhou destaque na escalada e no noticiário a comemoração pelos quinze anos do Plano Real (tema tratado neste Balaio na semana passada) promovida no plenário do Senado, em que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso aproveitou para atacar Lula.
Diante da manifesta má-vontade demonstrada pela imprensa neste episódio da cobertura da entrega do Prêmio da Unesco, dá para entender porque o governo Lula procura formas alternativas para se comunicar com a população fora da grande mídia.
Muitas vezes, quando trabalhava no governo, e mesmo depois que saí, discordei dele nas críticas que fazia à atuação da imprensa, a ponto de dizer recentemente que não lia mais jornais porque lhe davam azia.
Exageros à parte, mesmo que esta atitude beligerante lhe cause mais prejuízos do que dividendos, na minha modesta opinião, o fato é que Lula não deixa de ter razão quando se queixa de uma tendência da nossa mídia de inverter a máxima de Rubens Ricupero, aquele que deu uma banana para os escrúpulos.
“O que é bom a gente esconde, o que é ruim a gente divulga”, parece ser mesmo a postura de boa parte dos editores da nossa imprensa com um estranho gosto pelo noticiário negativo, priorizando as desgraças e minimizando as coisas boas que também acontecem no país.
Fonte:O Globo - Online
http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2009/07/08/premio-de-lula-orgulha-pais-mas-imprensa-esconde-203121.asp
quinta-feira, 25 de junho de 2009
Deixa o dia raiar
Repórter faz roteiro gay e constata: 5h da manhã de sábado é apenas a “comeceira”
Diversão constante é o que se encontra na noite gay de Salvador. Gente de todo tipo e diferentes classes econômicas circulam pelos “points” LGBT’s (lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, travestis e transgêneros) da soterópolis. Dezenas de estabelecimentos abrigam pessoas com um perfil muito próximo, que buscam diversão. Toda essa animação já ganhou diversos títulos, hoje, a noite é eclética.
Diante de tantas opções, resolvi visitar os lugares mais conhecidos, badalados e divertidos de Salvador. Encontrei programas para bolsos e gostos diferentes. Aconselhado por meu amigo Carlos Eduardo, 25, cheguei pouco depois das 16h à Praia dos Artistas, no bairro de Boca do Rio. O Sol estava encoberto por nuvens escuras e ameaçava chover, mas mesmo assim estava animado. Pessoas dançavam ao som de DJ’s em barracas como Bahamas e República, as mais conhecidas. Edílson*, 38, consultor de empresas, freqüentador da praia, me aconselhou voltar num domingo, pois, nesse dia à tarde, a praia está lotada e, além dos DJ’s, tem shows dos “meninos” contratados pelas barracas. Esses meninos fazem apresentações de dança, travestidos, dublando musicas de cantoras nacionais e internacionais. Saindo da Praia dos Artistas me joguei para o centro da cidade, próximo destino: uma sauna. Levei a tiracolo meu amigo Carlos Eduardo. Já no centro, Carlos me apresentou opções de saunas e vários endereços. Após pensar um pouco, sugeriu que fôssemos à Termas Olympus, discreta, numa rua residencial próximo ao bairro 2 de Julho. Aparentemente uma residência comum, se desdobra em cabines privadas e coletivas, salas de tv e leitura. O clima “quente” é propício para quem quer começar bem a noite. Não demoramos muito lá, me despedi de Carlos e caminhei até o Campo Grande. Ainda era cedo, pouco mais que 19h. O Beco dos Artistas começava a “bombar”. Entrei no Camarim, um bar dentro do Beco. O Camarin também tem boate, atendimento com garçons já conhecidos do público, telão com shows e vídeos musicais, bebida gelada e grande opção de tira-gostos. Mais cinco bares compõem o “casting” do Beco. O único problema é a limpeza do local. Apesar do excelente estado dos bares, a porta do Beco, nessa noite, servia como depósito de lixo.
O público é diversificado mas de maioria jovem. Os preços, em média, cabem em todos os bolsos – a cerveja em garrafa custa R$3,00. O transporte também é fácil, tanto para chegada quanto para saída, seja de ônibus ou de táxi. Para quem vem de carro, um estacionamento rotativo na rua principal garante a segurança. Depois de dançar na boate do Camarim, dei uma escapada para a Barra. Tradicional pelas praias e o Farol como postais diurnos da cidade, esse bairro abraça também alguns dos mais qualificados pontos de diversão LGBT’s. Entre eles se destaca a OFF, boate que há cerca de um ano passou por reformas. Essa mudança na estrutura do local, que conta com duas pistas de dança e bares, atraiu ainda mais o público gay da cidade e de fora dela. Apesar de ser uma das mais caras – a entrada custa R$ 30,00 - a OFF é bastante comentada por não ser um meio exclusivamente gay. Na saída da OFF, às 3h da manhã, quando já me preparava para encerrar o meu roteiro, encontro meu amigo Carlos acompanhado de alguns amigos. Ele me convidou para tomar a “saideira” em um bar ali mesmo, no Beco da OFF. Conversamos até às 5h da manhã. Quando nos despedíamos, Carlos saiu me corrigiu dizendo “Saideira não, a ‘comeceira’. A noite Gay de Salvador só acaba na manhã da segunda feira”.
Por José Ricardo Oliveira
Diversão constante é o que se encontra na noite gay de Salvador. Gente de todo tipo e diferentes classes econômicas circulam pelos “points” LGBT’s (lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, travestis e transgêneros) da soterópolis. Dezenas de estabelecimentos abrigam pessoas com um perfil muito próximo, que buscam diversão. Toda essa animação já ganhou diversos títulos, hoje, a noite é eclética.Diante de tantas opções, resolvi visitar os lugares mais conhecidos, badalados e divertidos de Salvador. Encontrei programas para bolsos e gostos diferentes. Aconselhado por meu amigo Carlos Eduardo, 25, cheguei pouco depois das 16h à Praia dos Artistas, no bairro de Boca do Rio. O Sol estava encoberto por nuvens escuras e ameaçava chover, mas mesmo assim estava animado. Pessoas dançavam ao som de DJ’s em barracas como Bahamas e República, as mais conhecidas. Edílson*, 38, consultor de empresas, freqüentador da praia, me aconselhou voltar num domingo, pois, nesse dia à tarde, a praia está lotada e, além dos DJ’s, tem shows dos “meninos” contratados pelas barracas. Esses meninos fazem apresentações de dança, travestidos, dublando musicas de cantoras nacionais e internacionais. Saindo da Praia dos Artistas me joguei para o centro da cidade, próximo destino: uma sauna. Levei a tiracolo meu amigo Carlos Eduardo. Já no centro, Carlos me apresentou opções de saunas e vários endereços. Após pensar um pouco, sugeriu que fôssemos à Termas Olympus, discreta, numa rua residencial próximo ao bairro 2 de Julho. Aparentemente uma residência comum, se desdobra em cabines privadas e coletivas, salas de tv e leitura. O clima “quente” é propício para quem quer começar bem a noite. Não demoramos muito lá, me despedi de Carlos e caminhei até o Campo Grande. Ainda era cedo, pouco mais que 19h. O Beco dos Artistas começava a “bombar”. Entrei no Camarim, um bar dentro do Beco. O Camarin também tem boate, atendimento com garçons já conhecidos do público, telão com shows e vídeos musicais, bebida gelada e grande opção de tira-gostos. Mais cinco bares compõem o “casting” do Beco. O único problema é a limpeza do local. Apesar do excelente estado dos bares, a porta do Beco, nessa noite, servia como depósito de lixo.
O público é diversificado mas de maioria jovem. Os preços, em média, cabem em todos os bolsos – a cerveja em garrafa custa R$3,00. O transporte também é fácil, tanto para chegada quanto para saída, seja de ônibus ou de táxi. Para quem vem de carro, um estacionamento rotativo na rua principal garante a segurança. Depois de dançar na boate do Camarim, dei uma escapada para a Barra. Tradicional pelas praias e o Farol como postais diurnos da cidade, esse bairro abraça também alguns dos mais qualificados pontos de diversão LGBT’s. Entre eles se destaca a OFF, boate que há cerca de um ano passou por reformas. Essa mudança na estrutura do local, que conta com duas pistas de dança e bares, atraiu ainda mais o público gay da cidade e de fora dela. Apesar de ser uma das mais caras – a entrada custa R$ 30,00 - a OFF é bastante comentada por não ser um meio exclusivamente gay. Na saída da OFF, às 3h da manhã, quando já me preparava para encerrar o meu roteiro, encontro meu amigo Carlos acompanhado de alguns amigos. Ele me convidou para tomar a “saideira” em um bar ali mesmo, no Beco da OFF. Conversamos até às 5h da manhã. Quando nos despedíamos, Carlos saiu me corrigiu dizendo “Saideira não, a ‘comeceira’. A noite Gay de Salvador só acaba na manhã da segunda feira”.
sábado, 20 de junho de 2009
Saúde e boa forma na noite soteropolitana
Henrique Casais
O horário noturno, além de ser mais agradável, é uma opção para quem trabalha durante o dia de manter a forma e saúde através de exercícios físicos.
A nova mania da noite em Salvador é transformar praças e espaços públicos em verdadeiras academias. Em bairros, como a Barra e até mesmo na Avenida Centenário já é comum encontrar pessoas de todas as idades que praticam atividade física quando começa a anoitecer. Principalmente com novas calçadas e novas iluminações que vem atraindo gente para esse lugar.
Para alguns, essa preferência é ocasionada pelo frescor que invade a cidade após o pôr do Sol, outros encontram na noite o tempo necessário distante das cobranças e do ritmo profissional, mas a maioria concorda: esta nova mania só é possível graças às melhorias que algumas regiões experimentaram no último ano.
Para o Fabiana Fontes, correr na rua ou fazer o alongamento na praia é mais agradável à noite. Afinal, nesse período é mais suportável do que um dia quente que possui 30 graus de temperatura. “Sem dúvida, fazer o exercício à noite é bem mais prazeroso. A gente sua menos, sente menos calor, mas o principal motivo de estar aqui agora é porque, normalmente, durante o dia não tenho tempo para me exercitar”, diz Fabiana
Já a advogada Paula Almeida, 25 anos o sua história é diferente. Formada em direito, estuda pela manhã e trabalha à tarde. Na tentativa de manter o corpo saudável, reserva quatro noites toda semana para os exercícios na Academia e somente às quartas, vai à praia da Barra fazer alongamentos junto com amigos sob a supervisão de um professor de educação física.
A rotina de Vinicius Muniz, 20 anos, também vive na mesma rotina. Estuda pela manhã e faz estágio à tarde. “Faço duas horas de atividades físicas todos os dias. Entre os meus exercícios está a corrida na areia da Barra. Eu nem teria tempo de fazer isso pela manhã.” O corre corre do trabalho só nos permite exercitar neste horário”, diz Muniz. “Acho válido me exercitar nesse horário. É muito melhor do que ficar parado” conclui.
Paulo Bahia, professor de educação física, é integrante da Triação, que é uma assessoria esportiva que apóia qualquer tipo de esporte e condicionamento físico. Com esse objetivo, ele marca com seus alunos associados na praia, todas as quartas às 20 horas próximo ao Farol da Barra. Nesses dias, diversos trabalhos de alongamentos e corrida são praticados na areia da praia.
Segundo Paulo Bahia, é importante praticar à noite porque a pessoa tem mais disposição do que pela manhã. O rendimento é melhor e menos desgastante. “Isso porque tem gente que acorda 5 da manhã para fazer exercícios deixando-o mais cansado para trabalhar”. Além das vantagens enumeradas pelo professor, o esporte noturno acaba também ajudando a eliminar parte do estresse vivido no trabalho durante o dia.
Por outro lado, este mesmo cansaço acaba contribuindo de forma decisiva para o elevado índice de faltas aos treinos. “O cansaço diário faz com que muitos acabem não comparecendo a todos os treinos. Muitas pessoas até aparecem. Porém enquanto alguns chegam supurativos, outros se sentem indispostos para os exercícios”, diz o professor de educação física, Diogo Almeida.
Para aqueles que querem ficar longe das ruas, de olho nesta tendência para a ginástica noturna, algumas academias já começam a apostar na ampliação do horário de funcionamento. Na Academia Tony Granjo, localizada no Canela, por exemplo, o horário de funcionamento vai até as 22:00.
Ana Maria, 60 anos, faz musculação nessa academia à noite por sugestão do filho que também é “Personal treiner”. Antes do trabalho, ela faz aeróbica pela manhã bem cedo. Ela também não dispensa o Cooper durante a noite quando não vai a academia. Corre duas vezes ao dia, do Campo Grande até a Barra e se preocupa muito em manter a forma por causa da idade.
Para o médico cardiologista Luiz Alberto Ritt, não existe nenhuma restrição para a prática física durante a noite. Porém, é necessário fazer um exame médico. Ele afirma que pessoas já sofreram ataques cardíacos por causa de esforço físico independendo do horário praticado. Acrescenta que antes de começar uma atividade física, deve-se procurar um avaliador físico competente e medir a sua pressão cardíaca. E é fundamental uma revisão do corpo periodicamente. “Pessoas acima de 45 anos devem fazer exames de rotina. Já para os hipertensos e outros casos patológico, é importante que a pessoa pratique exercícios diariamente. Assim ela pode evitar maiores danos à saúde”, diz Ritt.
A noite de Salvador não é somente festas, é também saúde e cada vez mais as pessoas estão descobrindo esse espaço e este tempo para cuidar do corpo, combater o estresse, livrar-se da rotina e, por conseqüência, melhorar a qualidade de vida e o humor perante o mundo.
O horário noturno, além de ser mais agradável, é uma opção para quem trabalha durante o dia de manter a forma e saúde através de exercícios físicos.
A nova mania da noite em Salvador é transformar praças e espaços públicos em verdadeiras academias. Em bairros, como a Barra e até mesmo na Avenida Centenário já é comum encontrar pessoas de todas as idades que praticam atividade física quando começa a anoitecer. Principalmente com novas calçadas e novas iluminações que vem atraindo gente para esse lugar.Para alguns, essa preferência é ocasionada pelo frescor que invade a cidade após o pôr do Sol, outros encontram na noite o tempo necessário distante das cobranças e do ritmo profissional, mas a maioria concorda: esta nova mania só é possível graças às melhorias que algumas regiões experimentaram no último ano.
Para o Fabiana Fontes, correr na rua ou fazer o alongamento na praia é mais agradável à noite. Afinal, nesse período é mais suportável do que um dia quente que possui 30 graus de temperatura. “Sem dúvida, fazer o exercício à noite é bem mais prazeroso. A gente sua menos, sente menos calor, mas o principal motivo de estar aqui agora é porque, normalmente, durante o dia não tenho tempo para me exercitar”, diz Fabiana
Já a advogada Paula Almeida, 25 anos o sua história é diferente. Formada em direito, estuda pela manhã e trabalha à tarde. Na tentativa de manter o corpo saudável, reserva quatro noites toda semana para os exercícios na Academia e somente às quartas, vai à praia da Barra fazer alongamentos junto com amigos sob a supervisão de um professor de educação física.
A rotina de Vinicius Muniz, 20 anos, também vive na mesma rotina. Estuda pela manhã e faz estágio à tarde. “Faço duas horas de atividades físicas todos os dias. Entre os meus exercícios está a corrida na areia da Barra. Eu nem teria tempo de fazer isso pela manhã.” O corre corre do trabalho só nos permite exercitar neste horário”, diz Muniz. “Acho válido me exercitar nesse horário. É muito melhor do que ficar parado” conclui.
Paulo Bahia, professor de educação física, é integrante da Triação, que é uma assessoria esportiva que apóia qualquer tipo de esporte e condicionamento físico. Com esse objetivo, ele marca com seus alunos associados na praia, todas as quartas às 20 horas próximo ao Farol da Barra. Nesses dias, diversos trabalhos de alongamentos e corrida são praticados na areia da praia.
Segundo Paulo Bahia, é importante praticar à noite porque a pessoa tem mais disposição do que pela manhã. O rendimento é melhor e menos desgastante. “Isso porque tem gente que acorda 5 da manhã para fazer exercícios deixando-o mais cansado para trabalhar”. Além das vantagens enumeradas pelo professor, o esporte noturno acaba também ajudando a eliminar parte do estresse vivido no trabalho durante o dia.
Por outro lado, este mesmo cansaço acaba contribuindo de forma decisiva para o elevado índice de faltas aos treinos. “O cansaço diário faz com que muitos acabem não comparecendo a todos os treinos. Muitas pessoas até aparecem. Porém enquanto alguns chegam supurativos, outros se sentem indispostos para os exercícios”, diz o professor de educação física, Diogo Almeida.
Para aqueles que querem ficar longe das ruas, de olho nesta tendência para a ginástica noturna, algumas academias já começam a apostar na ampliação do horário de funcionamento. Na Academia Tony Granjo, localizada no Canela, por exemplo, o horário de funcionamento vai até as 22:00.
Ana Maria, 60 anos, faz musculação nessa academia à noite por sugestão do filho que também é “Personal treiner”. Antes do trabalho, ela faz aeróbica pela manhã bem cedo. Ela também não dispensa o Cooper durante a noite quando não vai a academia. Corre duas vezes ao dia, do Campo Grande até a Barra e se preocupa muito em manter a forma por causa da idade.
Para o médico cardiologista Luiz Alberto Ritt, não existe nenhuma restrição para a prática física durante a noite. Porém, é necessário fazer um exame médico. Ele afirma que pessoas já sofreram ataques cardíacos por causa de esforço físico independendo do horário praticado. Acrescenta que antes de começar uma atividade física, deve-se procurar um avaliador físico competente e medir a sua pressão cardíaca. E é fundamental uma revisão do corpo periodicamente. “Pessoas acima de 45 anos devem fazer exames de rotina. Já para os hipertensos e outros casos patológico, é importante que a pessoa pratique exercícios diariamente. Assim ela pode evitar maiores danos à saúde”, diz Ritt.
A noite de Salvador não é somente festas, é também saúde e cada vez mais as pessoas estão descobrindo esse espaço e este tempo para cuidar do corpo, combater o estresse, livrar-se da rotina e, por conseqüência, melhorar a qualidade de vida e o humor perante o mundo.
quinta-feira, 18 de junho de 2009
Fecha o bar que o buzu vai passar!
Por Alice Coelho
É uma terça-feira de março: um dia de movimento nos bares da orla de Salvador. A cidade turística, com quase 3 milhões de habitantes e com fama de festeira dorme cedo. O que acontece na capital, que recebeu cerca de 3,5 milhões de visitantes em 2008 – número maior que a população local, é que sua vida noturna é curta.
A noite que deveria ser badalada, acaba antes que o cliente queira ir embora. “A maioria dos bares da orla fecha antes da meia noite”, afirma a estudante Priscila Ribeiro.
Acompanhada de mais dois amigos, a estudante já se deparou com situações em que o bar encerrou as atividades antes da vontade dela e de seus colegas irem embora. O que fizeram? Foram frustrados para casa ou decidiram por comer o feijão, o mocotó, a rabada e outros. As opções foram os bares 24 horas, postos de gasolinas e bares de bairro.
Vantagem para os bares 24 horas. Ao passo que os estabelecimentos convencionais alegam que não há clientes para além da meia noite, Sandro Leite, que gerencia um estabelecimento desse tipo no Rio Vermelho, diz que público tem, mas que a questão maior é a dificuldade de transporte. “Também tem que ter ônibus”, diz o gerente. “Quem vem para cá, são os funcionários dos bares vizinhos, gente que vem de aniversário, dos outros bares”, completa. Segundo ele, quem sai do trabalho entre 12h e 3h da manhã tem que ficar fazendo hora até o ônibus passar.
O gerente de bar Sandro Leite garante que há público para a noite em SalvadorJá Joseval Faustino, gerente de um bar da orla, não consegue ver o problema do transporte coletivo. Segundo ele, os funcionários não encontram empecilhos para voltar para casa. Usam os ônibus da madrugada - o pernoitão ou fazem uma “vaquinha” para ir de táxi.
Joabe utiliza transporte clandestino para ir do Rio Vermelho para PlataformaHá uma forte evidência de que não há preocupação da maioria dos empresários com o transporte seguro dos funcionários na volta para casa. O garçon Joabe Alves dos Santos, por exemplo, trabalha no Rio Vermelho e sai entre 12h e 2h da manhã em direção ao bairro Plataforma usando transporte clandestino.
Essa dificuldade mobilizou a Abrasel (Associação de Bares, Restaurantes e Similares), a procurar pela Secretaria de Transporte Público do município. Um mapeamento foi solicitado pela secretaria à Associação e deve ser finalizado até Junho desse ano. “É a mais clara evidência que há mercado”, pontua o presidente da Abrasel, Luiz Marques. Para ele, a ausência de transporte é o fator limitador dessa demanda. “As pessoas não tem como ir e o colaborador tem dificuldade de voltar”, assinala.
Uma outra questão que não pode deixar de ser mencionada é a segurança. O bar que Faustino administra, por exemplo, finaliza seu expediente entre 1h30 e 2h da manhã, quando o gerente diz não existir mais clientela. Ele considera arriscado deixar o bar aberto na madrugada. “Depois de um certo horário começa a aparecer gente estranha”, diz ele. “Eles pensam somente na segurança deles. Não é por nós”, rebate a estudante Priscila Ribeiro.
Sob a perspectiva da presidência da Abrasel, a segurança também é um dos motivos que inibe a clientela dos bares. Marques aponta um outro fato: a questão da Lei Seca. Nesse sentido, ele reforça a necessidade de melhorar o transporte público. “Não tenho dúvida que aumentaria a circulação de renda”, declara.
Salvador precisa acordar. Ou melhor, a cidade que recebe mais de 3 milhões de turistas, não pode dormir tão cedo.
É uma terça-feira de março: um dia de movimento nos bares da orla de Salvador. A cidade turística, com quase 3 milhões de habitantes e com fama de festeira dorme cedo. O que acontece na capital, que recebeu cerca de 3,5 milhões de visitantes em 2008 – número maior que a população local, é que sua vida noturna é curta.
A noite que deveria ser badalada, acaba antes que o cliente queira ir embora. “A maioria dos bares da orla fecha antes da meia noite”, afirma a estudante Priscila Ribeiro.
Acompanhada de mais dois amigos, a estudante já se deparou com situações em que o bar encerrou as atividades antes da vontade dela e de seus colegas irem embora. O que fizeram? Foram frustrados para casa ou decidiram por comer o feijão, o mocotó, a rabada e outros. As opções foram os bares 24 horas, postos de gasolinas e bares de bairro.
Vantagem para os bares 24 horas. Ao passo que os estabelecimentos convencionais alegam que não há clientes para além da meia noite, Sandro Leite, que gerencia um estabelecimento desse tipo no Rio Vermelho, diz que público tem, mas que a questão maior é a dificuldade de transporte. “Também tem que ter ônibus”, diz o gerente. “Quem vem para cá, são os funcionários dos bares vizinhos, gente que vem de aniversário, dos outros bares”, completa. Segundo ele, quem sai do trabalho entre 12h e 3h da manhã tem que ficar fazendo hora até o ônibus passar.
O gerente de bar Sandro Leite garante que há público para a noite em SalvadorJá Joseval Faustino, gerente de um bar da orla, não consegue ver o problema do transporte coletivo. Segundo ele, os funcionários não encontram empecilhos para voltar para casa. Usam os ônibus da madrugada - o pernoitão ou fazem uma “vaquinha” para ir de táxi.
Joabe utiliza transporte clandestino para ir do Rio Vermelho para PlataformaHá uma forte evidência de que não há preocupação da maioria dos empresários com o transporte seguro dos funcionários na volta para casa. O garçon Joabe Alves dos Santos, por exemplo, trabalha no Rio Vermelho e sai entre 12h e 2h da manhã em direção ao bairro Plataforma usando transporte clandestino.
Essa dificuldade mobilizou a Abrasel (Associação de Bares, Restaurantes e Similares), a procurar pela Secretaria de Transporte Público do município. Um mapeamento foi solicitado pela secretaria à Associação e deve ser finalizado até Junho desse ano. “É a mais clara evidência que há mercado”, pontua o presidente da Abrasel, Luiz Marques. Para ele, a ausência de transporte é o fator limitador dessa demanda. “As pessoas não tem como ir e o colaborador tem dificuldade de voltar”, assinala.
Uma outra questão que não pode deixar de ser mencionada é a segurança. O bar que Faustino administra, por exemplo, finaliza seu expediente entre 1h30 e 2h da manhã, quando o gerente diz não existir mais clientela. Ele considera arriscado deixar o bar aberto na madrugada. “Depois de um certo horário começa a aparecer gente estranha”, diz ele. “Eles pensam somente na segurança deles. Não é por nós”, rebate a estudante Priscila Ribeiro.
Sob a perspectiva da presidência da Abrasel, a segurança também é um dos motivos que inibe a clientela dos bares. Marques aponta um outro fato: a questão da Lei Seca. Nesse sentido, ele reforça a necessidade de melhorar o transporte público. “Não tenho dúvida que aumentaria a circulação de renda”, declara.
Salvador precisa acordar. Ou melhor, a cidade que recebe mais de 3 milhões de turistas, não pode dormir tão cedo.
Sexo sem cama
O “pistão”, no Jardim de Alah, tem espaço para encontros casuais, transas dentro do carro e sexo hard, tudo em público, à luz da lua
Maria Ísis [mariaisiss@gmail.com]
Engana-se quem pensa que o sol é requisito para que as pessoas visitem a praia do Jardim de Alah. Logo após as 18 horas, a faixa de areia próxima à parede de pedras é freqüentada por homo e heterossexuais para realizar fetiches e desejos eróticos, seja pela grana curta para o motel, para encontrar alguém disponível para programas, no mínimo, inusitados ou exercitar o voyerismo.
No “pistão”, como é conhecido o estacionamento que fica próximo, as carícias são menos intensas e ocorrem dentro dos carros. A maioria dos frequentadores é homem, na faixa etária dos 20 aos 50 anos. Boa parte deles chega sozinho e encontra ali mesmo um parceiro sexual. O movimento de carros circulando é constante. Alguns estacionam os veículos próximos a outros, abaixam o vidro, conversam e convidam para um encontro. Ao redor, os transeuntes acompanham curiosos a movimentação. Os mais exibidos chegam a se masturbar.
“O que mais gosto é que aqui você tem liberdade para fazer o que quiser. Se acontecer de rolar uma transa, ótimo. Se não acontece, não deixa de ser divertido também”, diz o cearense Mário*, 23 anos, que em todas as visitas à capital baiana – uma média de oito por ano – faz questão de comparecer ao pistão.
Perto dali, o tapete de grama, onde ficam coqueiros, e que serve de espaço para exercícios físicos e de relaxamento durante o dia, à noite, tem uma destinação bem menos inocente. O chamado “tapetão” funciona como um local para o encontro inicial dos que chegam a pé. Os aparelhos de musculação funcionam como banquinhos, são pontos de encontro, e os coqueiros servem de “camas verticais” para apoio dos casais mais desinibidos.
É possível ver garotos de programa, jovens ainda vestidos com a roupa do trabalho e pais de família. Em menor número, casais héteros também aparecem. “Já fui para transar com meu namorado. Fomos com o carro dos pais dele. Achei excitante a experiência, mas não saímos do veículo”, conta Larissa*, 20 anos, estudante.
Com espaço garantido para o exibicionismo, o voyeurismo e o dogging (vide box), além de uma barraca de praia que vende cerveja e petisco até de madrugada, o pistão é um destes lugares que passam despercebidos, mas possuem muitos atrativos. “Não podemos ter uma visão preconceituosa. Praticar sexo em público é um fetiche, um comportamento normal, comparável a vestir uma fantasia ou utilizar acessórios sexuais, como algemas, por exemplo”, aponta a psicóloga Ivani Ribeiro.
O único cuidado é garantir que os observadores da transa, se existirem, não se sintam constrangidos ou animados a ponto de tentarem interferir no namoro. Praticar sexo em público, apesar de não ser desvio comportamental, se enquadra como atentado ao pudor, com pena de reclusão de seis a dez anos prevista nos artigos 213 e 214 do Código Penal. Mas no tapetão isso não parece ser um problema. Afinal, o espaço existe há anos e nunca os namorados foram presos ou submetidos a constrangimentos moralistas.
Dogging – Prática sexual cunhada na Inglaterra em que os adeptos transam dentro ou fora de automóveis, com uma platéia ao redor. A brincadeira mistura exibicionismo, voyeurismo e swing. Deve obrigatoriamente ser feita ao ar livre e à noite. Durante a transa, os ocupantes acendem a luz interna ou os faróis. O público não pode abrir a porta ou tocar nos protagonistas do jogo, a menos que sejam convidados. Nesse caso, a senha é a abertura das janelas.
Se oriente – Já existe um mapa para quem gosta de fazer sexo em lugares inusitados. Alguns dos melhores locais do mundo para se fazer sexo em público estão aqui. Já foram marcados locais de vários países. Em terras brasileiras, apenas a Ilha Comprida, MS, foi inserida no mapa. Com certeza há mais. Participe e envie uma foto do local mais inusitado em que você já fez sexo.
*Os nomes reais das fontes foram preservados.
Maria Ísis [mariaisiss@gmail.com]
Engana-se quem pensa que o sol é requisito para que as pessoas visitem a praia do Jardim de Alah. Logo após as 18 horas, a faixa de areia próxima à parede de pedras é freqüentada por homo e heterossexuais para realizar fetiches e desejos eróticos, seja pela grana curta para o motel, para encontrar alguém disponível para programas, no mínimo, inusitados ou exercitar o voyerismo.
No “pistão”, como é conhecido o estacionamento que fica próximo, as carícias são menos intensas e ocorrem dentro dos carros. A maioria dos frequentadores é homem, na faixa etária dos 20 aos 50 anos. Boa parte deles chega sozinho e encontra ali mesmo um parceiro sexual. O movimento de carros circulando é constante. Alguns estacionam os veículos próximos a outros, abaixam o vidro, conversam e convidam para um encontro. Ao redor, os transeuntes acompanham curiosos a movimentação. Os mais exibidos chegam a se masturbar.
“O que mais gosto é que aqui você tem liberdade para fazer o que quiser. Se acontecer de rolar uma transa, ótimo. Se não acontece, não deixa de ser divertido também”, diz o cearense Mário*, 23 anos, que em todas as visitas à capital baiana – uma média de oito por ano – faz questão de comparecer ao pistão.
Perto dali, o tapete de grama, onde ficam coqueiros, e que serve de espaço para exercícios físicos e de relaxamento durante o dia, à noite, tem uma destinação bem menos inocente. O chamado “tapetão” funciona como um local para o encontro inicial dos que chegam a pé. Os aparelhos de musculação funcionam como banquinhos, são pontos de encontro, e os coqueiros servem de “camas verticais” para apoio dos casais mais desinibidos.
É possível ver garotos de programa, jovens ainda vestidos com a roupa do trabalho e pais de família. Em menor número, casais héteros também aparecem. “Já fui para transar com meu namorado. Fomos com o carro dos pais dele. Achei excitante a experiência, mas não saímos do veículo”, conta Larissa*, 20 anos, estudante.
Com espaço garantido para o exibicionismo, o voyeurismo e o dogging (vide box), além de uma barraca de praia que vende cerveja e petisco até de madrugada, o pistão é um destes lugares que passam despercebidos, mas possuem muitos atrativos. “Não podemos ter uma visão preconceituosa. Praticar sexo em público é um fetiche, um comportamento normal, comparável a vestir uma fantasia ou utilizar acessórios sexuais, como algemas, por exemplo”, aponta a psicóloga Ivani Ribeiro.
O único cuidado é garantir que os observadores da transa, se existirem, não se sintam constrangidos ou animados a ponto de tentarem interferir no namoro. Praticar sexo em público, apesar de não ser desvio comportamental, se enquadra como atentado ao pudor, com pena de reclusão de seis a dez anos prevista nos artigos 213 e 214 do Código Penal. Mas no tapetão isso não parece ser um problema. Afinal, o espaço existe há anos e nunca os namorados foram presos ou submetidos a constrangimentos moralistas.
Dogging – Prática sexual cunhada na Inglaterra em que os adeptos transam dentro ou fora de automóveis, com uma platéia ao redor. A brincadeira mistura exibicionismo, voyeurismo e swing. Deve obrigatoriamente ser feita ao ar livre e à noite. Durante a transa, os ocupantes acendem a luz interna ou os faróis. O público não pode abrir a porta ou tocar nos protagonistas do jogo, a menos que sejam convidados. Nesse caso, a senha é a abertura das janelas.
Se oriente – Já existe um mapa para quem gosta de fazer sexo em lugares inusitados. Alguns dos melhores locais do mundo para se fazer sexo em público estão aqui. Já foram marcados locais de vários países. Em terras brasileiras, apenas a Ilha Comprida, MS, foi inserida no mapa. Com certeza há mais. Participe e envie uma foto do local mais inusitado em que você já fez sexo.
*Os nomes reais das fontes foram preservados.
Empreendedorismo é marca registrada dos vendedores ambulantes
Circulando pelas ruas da capital baiana, durante a noite, trabalhadores (as) investem na simpatia para agradar clientela e gerar lucros
Uma noite movimentada e o ex-vendedor de eletrodomésticos, Osias Figueiredo tira o que levaria três meses para ganhar no antigo emprego. O principal produto vendido por ele é o cachorro quente, no valor de R$ 2,00. Quem também tem renda média mensal superior a três vezes o salário mínimo é o ex-garçom, Jorge Sousa, que há 20 anos vende guloseimas.
O vendedor ambulante, Osias Figueiredo começou a venda de lanches em um isopor, e hoje após 28 anos, já possui uma mini-van, onde comercializa lanches nos dias de festa em frente a Boate Madrre. Faturando R$ 1.200 numa noite, o ambulante veterano sustenta três filhos. Osias é seu próprio patrão, mas confessa que o trabalho é incerto, “sendo ambulante eu posso me administrar, fazer os meus horários, sem ter que dar satisfação a ninguém, mas é uma atividade inconstante, só garantimos o nosso quando as pessoas têm dinheiro para gastar”, ressalta.
Uma característica do trabalho de Osias é a relação amigável com os freqüentadores e funcionários da boate. Ele revela que o tempo em que está no ramo permitiu-lhe algumas regalias, como, entrada gratuita nas festas e a conquista do direito de não ser importunado pelo “rapa” durante as blitzes. “Eles não me incomodam, por que comercializo meus lanches numa towner, preparada especialmente para isso”, destaca.
Um dos fatores que contribuíram para Osias tornar-se vendedor autônomo foi o desemprego. Segundo as informações da Pesquisa de Emprego e Desemprego da Região Metropolitana de Salvador, a redução da taxa média anual de desemprego passou de 21,7% em 2007 para 20,3%, em 2008. A diminuição de 6,5% resultou na geração de 39 mil ocupações, dentre elas, a de vendedor ambulante.
Para a coordenadora da Pesquisa, Ana Margareth Simões, “Quando se trata de período de expectativas ruins para a economia, a auto-ocupação, principalmente aquelas de caráter mais instável tendem a crescer, pois as oportunidades de encontrar uma ocupação mais formalizada se reduzem”, esclarece a economista. Esse mesmo caminho foi seguido por Jorge Sousa, vendedor ambulante de longas datas. Vinte dos seus 44 anos de idade foram dedicados à venda de balas, chocolates, salgadinhos, dentre outras centenas de variedades que enchem o carrinho.
Jorge sai do Alto da Chapada do Rio Vermelho, as seis da manhã, em direção a porta do Colégio ISBA e permanece no local até às 21h30. Atendendo sempre com um sorriso estampado no rosto, para ele uma boa relação com os clientes é importante para o sucesso do negócio, “faço amizade de acordo com cada cliente, tem gente que não quer ser amigo”, confessa. Assim como Jorge e Osias, outros 14,6 milhões de pessoas desempenham alguma atividade empreendedora, ou seja, cerca de 12,02% da população brasileira adulta, segundo dados do Sebrae.
A edição anual da pesquisa GEM 2008 (Monitoramento Global da Atividade Empreendedora numa tradução livre) - um estudo que compreende a relação entre o empreendedorismo e o desenvolvimento econômico dos países do G-20-, revela que o Brasil está em terceiro lugar com visão empreendedorora.
Conhecido também como porta-voz das festas, os ambulantes, em sua maioria, agradam a clientela pela maneira divertida que atendem. Um caso que exemplifica essa relação é o da publicitária, Ilka Danusa Correia, que procura sempre conversar com esses trabalhadores. “Eu acho que a maioria desses ambulantes tem uma visão empreendedora, eles sabem criar estratégias para melhorar o seu desempenho. Além disso, eles têm conhecimento dos eventos que acontecem na cidade, são os verdadeiros garotos propagandas”, ressalta a publicitária.
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