segunda-feira, 22 de novembro de 2010

A arte dos malabares

Bolas de cristal, bastões com fogo, cones e bolinhas fluorescentes. Sejam nas ruas ou em eventos fechados, as apresentações dos malabares prendem a atenção das pessoas que estão ao redor. Adultos e crianças se rendem à beleza plástica do malabarismo, mantendo os olhos vidrados nas manobras praticadas por esses artistas.

“É lindo de se ver, sempre meus filhos para assistirem”, conta Sandra Prieto, 38, freqüentadora do Largo de Santana, no Rio Vermelho, enquanto aprecia um aperitivo próximo ao Acarajé da Dinha.

Além da beleza do espetáculo, não são raras as vezes que os artistas de rua representam também lucro para o comércio local. “Tem clientes que voltam ao meu estabelecimento perguntando pelas apresentações dos malabares, que acabam agregando valor ao meu produto de forma gratuita”, destaca Juedi Almeida, proprietário de uma temakeria no Rio Vermelho.

Muito comum em circos, os malabares, aos poucos, vão conquistando novos espaços como praças públicas, parques, largos, bares, becos eventos e festas. Além do amor à arte e a vontade de disseminar o malabarismo, esses artistas se apresentam para sustento próprio ou na tentativa de reforçar o orçamento.

Para Laili Flórez, 23, malabarista e palhaça, em Salvador a grande porta de popularização desta arte foi a explosão das raves - festa de música eletrônica, de longa duração, normalmente acima de 12 horas, onde DJs e artistas plásticos, visuais e performáticos, apresentam seus trabalhos, interagindo com o público.
Em Salvador, os espaços públicos mais freqüentados por malabares são as praças Dois de Julho e

Piedade, os parques da Cidade e de Pituaçu, os largos de Santana e da Mariquita. “Esses são bons pontos da cidade, com grande circulação de gente e espaço adequado para nossas apresentações”, conta Laili.

Nesses ambientes, forma-se uma “roda” de pessoas em volta dos malabares, e após o término das apresentações, é muito comum que esses artistas passem um chapéu para receber dinheiro dos espectadores. Dery Lima, 28, malabarista e palhaço, comenta que todos gostam de assistir, mas nem sempre contribuem com dinheiro. “Sempre interagimos com o público durante nossos espetáculos, fazemos com que as pessoas participem dos números e assim tenham vontade de colaborar financeiramente”, diz.

Segundo ele, as apresentações de rua não rendem muito dinheiro. “Nos apresentamos nas ruas não pelo dinheiro e sim pelo prazer de levar a arte para pessoas que não estão acostumadas a apreciá-la no dia a dia. Nossa intenção é que elas possam experimentar coisas novas”, afirma. Por outro lado, Laili diz que os malabaristas são bem pagos quando contratados para eventos particulares. “Em média ganhamos R$ 200,00 por 4 horas de trabalho”.

Com a valorização desta arte, os malabaristas além dos tradicionais casamentos, festas de aniversário, formaturas já começam a conquistar espaços importantes até mesmo em blocos e camarotes no carnaval. “O malabarismo traz alegria e diversão para qualquer lugar, além de entreter as pessoas de qualquer idade”, destaca o dono de um camarote do carnaval de Salvador, Nei Ávila, 44 anos.

Mesmo com as novas conquistas, Mabi considera dificílimo viver de malabarismo em Salvador. Há épocas do ano que a procura por malabaristas é grande, como no verão, em especial no Carnaval. Mas, há épocas em que a demanda por trabalho é pouquíssima. “O dinheiro que ganho com o malabarismo é o complemento da minha renda, não posso contar com ele”, diz.